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Caso o Fed reduza a taxa de juros ou dê indícios de que fará esse corte nos próximos meses, os emergentes – como o Brasil – podem ser beneficiados

presidente do fed
Flickr/Federal Reserve - 30.1.19
Caso o Fed reduza os juros ou dê indícios de que fará esse corte em breva, os países emergentes podem ser beneficiados

Embora a semana seja mais curta por conta do feriado de Corpus Chisti, a agenda econômica desta quarta-feira (19) segue recheada de decisões que afetarão diretamente o mercado financeiro. O Banco Central (BC) do Brasil e o Fed (Federal Reserve, o BC dos Estados Unidos) vão rever os juros básicos de suas respectivas economias para os próximos meses.

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O consenso entre a maioria dos analistas é que as taxas continuem nos patamares em que estão: 6,5% ao ano no Brasil e intervalo entre 2,25% e 2,5% nos EUA. "Para hoje, a expectativa é que tanto Brasil quanto EUA mantenham os juros  inalterados, mas deem indícios de cortes em um futuro breve", destacou Álvaro Bandeira, economista-chefe do banco Modalmais.

Na véspera, o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, indicou que a autoridade monetária pode baixar os juros caso a economia não dê sinais de melhora. Por isso, a maioria das bolsas teve fortes ganhos e o dólar operou em queda em relação a várias moedas, inclusive o real.

Caso o Fed reduza a taxa de juros ou dê indícios de que fará esse corte nos próximos meses, os países emergentes podem ser beneficiados. "Quando a maior economia do mundo indica ou efetivamente corta os juros, significa que os rendimentos livres de riscos ficam menores. Assim, os investidores tendem a buscar outros mercados para alocar seus investimentos", explica Raphael Figueredo, analista da Eleven Financial.

Agora, caso o Fed resolva aumentar os juros, o cenário é o inverso, e os Estados Unidos passarão a oferecer um rendimento melhor por investimentos seguros. Por ser a maior economia do mundo, uma alta na taxa de juros norte-americana leva os investidores a buscarem proteção em dólar.

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No caso do Brasil, a queda da Selic é vista como uma facilitadora para a retomada dos investimentos. O problema é que a situação fiscal do País se sobrepõe à monetária. "A Selic está na mínima histórica, mas os investimentos ainda continuam baixos. Atualmente o maior desafio do País é o fiscal", diz Figueredo. "Acredito que o Copom não vá mexer nos juros, mas pode indicar uma redução caso as reformas passem no Congresso", completa.