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No começo do ano, expectativa era de que economia crescesse 2,53%; agora, em sua 15ª queda consecutiva, projeções apontam alta de apenas 1%

presidente Jair Bolsonaro
Isac Nóbrega/PR
Reduções na expectativa do PIB para o fim do ano podem resultar em pior cenário do que em 2018


Analistas do mercado financeiro reduziram, pela 15ª vez consecutiva, as previsões de crescimento da economia brasileira para o fim deste ano. De acordo com o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (10) pelo Banco Central (BC), a estimativa é de que o Produto Interno Bruto (PIB) do País cresça 1% em 2019.

Na semana passada, a expectativa era de que o crescimento fosse de 1,13% . As projeções do PIB brasileiro vem em queda constante desde janeiro, quando a estimativa era de que o Brasil crescesse 2,53% no ano . De lá para cá, a queda foi rápida, alcançando hoje o 1%.

As revisões na expectativa de crescimento da economia brasileira f icou ainda mais intensa após a divulgação do resultado do PIB do primeiro trimestre deste ano, que apresentou retração de 0,2% .

O ministro da Economia, Paulo Guedes, também admitiu que as projeções do governo foram reduzidas. Ao dizer que o Brasil está "no fundo do poço" , ele admitiu que a expectativa, que era de crescimento de 2,5%, caiu para 1,5%.

Com a redução na previsão, a estimativa de alta do PIB alcança o mesmo nível em que o Brasil  encerrou o ano passado, em 1,1% . Ao atingir o pequeno índice de 2018 ainda no meio do ano, as probabilidades de que o País tenha um crescimento bem inferior ao do ano passado aumentam.

Para 2020, o Boletim Focus  também revisou a projeção, que passou de 2,50% para 2,23%. Já a previsão de expansão da economia para 2021 e para 2022 continuou em 2,5% para os dois anos.

Inflação, Selic e dólar

A estimativa de inflação , calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), também foi revisada, caindo de 4,03% para 3,89% neste ano, motivada principalmente pela desacelaração do índice no mês de maio . O valor ainda está dentro da meta de inflação do ano, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 4,25% com intervalo de tolerância entre 2,75% e 5,75%.

Para 2020, a projeção do OPCA foi mantida em 4% para  e em 3,75% para 2021 e 2022.

Para controlar a inflação, o BC usa como principal instrumento a taxa básica de juros , a Selic. Para o mercado financeiro, a Selic deve permanecer no seu mínimo histórico de 6,50% ao ano até o fim de 2019.

A estimativas do mercado financeiro para a cotação do dólar permanecem em R$ 3,80 tanto para o fim de 2019 quanto para 2020.