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Equipe precisa que o crédito seja aprovado rapidamente, uma vez que o dinheiro para pagar esses benefícios pode acabar em 15 de junho; Plano Safra, BPC, Previdência e Bolsa Família serão primeiros prejudicados

Presidente Jair Bolsonaro
Isac Nóbrega/PR
Plano Safra, BPC, Previdência e Bolsa Família serão primeiros prejudicados caso o crédito emergencial não seja aprovado rapidamente


O crédito emergencial que garantirá o pagamento de benefícios como aposentadorias e programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, será de R$ 248 bilhões no segundo semestre deste ano. O valor foi definido na noite desta segunda-feira (3) pelo relator do projeto no Congresso, deputado Hildo Rocha (MDB-MA). 

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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) convocou para a próxima quarta-feira (5) a sessão conjunta do Congresso com o objetivo de votar o projeto do crédito emergencial . O texto também será analisado, na quarta-feira, na Comissão Mista de Orçamento (CMO).

O valor de R$ 248 bilhões é o mesmo pedido pelo governo no início do ano. Depois, porém, a gestão  Bolsonaro informou outros valores, de R$ 110 bilhões e R$ 146 bilhões, o que gerou dúvidas sobre qual o tamanho do crédito necessário.

A equipe econômica do governo corre contra o tempo para aprovar a proposta. A partir de 15 de junho, já pode haver problemas nos pagamentos que estão condicionados à aprovação desse credito.

O primeiro a ser afetado é o Plano Safra deste ano. Em seguida, os pagamentos do Benefício de Prestação Continuada ( BPC ), destinado a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. Para os benefícios previdenciários só há fonte de recursos até agosto e, para o Bolsa Família , até setembro.

Para votar o projeto, porém, o Congresso ainda precisará analisar 23 vetos presidenciais que trancam a pauta. O pedido de um aval especial precisa ser aprovado pela maioria absoluta em uma sessão conjunta — 257 deputados e 41 senadores.

A restrição nos pagamentos ocorre porque o governo irá descumprir, neste ano, a chamada regra de ouro. Esta proíbe o governo de se endividar para pagar despesas correntes, como folha de salários. Ele só pode emitir dívida se os recursos forem destinados a investimentos.

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Por conta dos sucessivos rombos no Orçamento, no entanto, este ano o governo não irá conseguir cumprir a regra. Por isso, precisa aprovar no Congresso um crédito emergencia l, uma autorização para emitir dívida sem ser punido. Usar os recursos obtidos com emissão de títulos da dívida para bancar despesas correntes sem aval prévio do Congresso é crime de responsabilidade e pode ensejar abertura de processo de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro.