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O presidente da Câmara dos Deputados lembrou que não teve apoio do governo na sua candidatura e disse, ainda, que muitos projetos estão atropelando o ambiente para a tramitação da reforma da Previdência.

Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia
Agência Brasil/Wilson Dias
Rodrigo Maia reclamou de o governo apresentar muitas propostas ao mesmo tempo, atrapalhando o curso da reforma da Previdência


O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reclamou de o governo federal apresentar, ao mesmo tempo, projetos que concorrem com a reforma da Previdência da Previdência. Ele participa, nesta quinta-feira (11), e um evento para investidores em Nova York.

Como exemplos de projetos que estariam prejudicando o foco da Previdência, Rodrigo Maia citou a proposta de autonomia do Banco Central , assinada hoje pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), e as declarações do secretário especial da Receita Federal, Marcos Cintra, sobre a reforma tributária.

"O parlamento pode ter uma agenda própria? Pode. Mas quando ele faz a agenda própria dele, o governo vem atrás para não deixar que a agenda seja exclusivamente do parlamento" alfinetou Maia, acrescentando que “o governo não ajudou a minha candidatura na Câmara, o governo atrapalhou, se a gente quisesse estar atrapalhando o governo, era fácil”.

Segundo ele, alguns projetos já estavam prontos para serem apresentados na hora mais oportuna, mas foram atropelados pelo governo - como no caso do Banco Central.. " Na hora que a gente quer colocar a nossa agenda, o governo vai entrar na nossa. A autonomia do Banco Central , eu já tenho um texto combinado com Ilan (Ilan Goldfajn, ex-presidente do Banco Central), há muito tempo, não tinha voto, já acertamos eu, ele e Roberto Campos Neto (atual presidente do BC) o texto, ajustamos naquilo que o atual presidente entendia, entendia que precisava ajustar, que tá pronto pra votar, mas falta voto. Quando eu tiver isso organizado eu voto. Aí hoje o governo vai e encaminha um projeto", disse.

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Maia citou, ainda, a proposta de reforma tributária . " O governo entrou na minha pauta agora. Duas semanas atrás levei Bernard Appy pra apresentar a proposta [de reforma tributária] que nós já tínhamos discutido com ele dois anos atrás. Quando isso foi anunciado, o Marcos Cintra veio hoje e está tratando da dele", lembrou.

Apesar das críticas,  Rodrigo Maia afirmou que a articulação política do governo sobre a Previdência melhorou e desenhou um cenário mais otimista para a tramitação. "— Tirando BPC (benefício para idosos e deficientes de baixa renda) e aposentadoria rural, a gente tem condição de aprovar tudo que está colocado e garantir uma economia perto de R$1 trilhão, que o ministro precisa pra implantar a capitalização e outras reformas", afirmou.