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Previsão de expansão econômica em 2019 recuou de 2,50% para 2,48%, enquanto expectativa para inflação não foi alterada; confira outras projeções

Expectativa para crescimento do PIB em 2019 foi reduzida por analistas de instituições financeiras
Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Expectativa para crescimento do PIB em 2019 foi reduzida por analistas de instituições financeiras

Analistas de instituições financeiras consultados pelo Boletim Focus, relatório semanal divulgado pelo Banco Central (BC), projetam crescimento abaixo do esperado para a economia brasileira em 2019. As expectativas para o Produto Interno Bruto (PIB) caíram de 2,50% para 2,48%.

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O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no País e é utilizado para medir o crescimento da economia em seus diversos setores em determinado período de tempo. A desaceleração do indicador pode revelar que o otimismo do mercado com o governo tenha diminuído, embora a redução de 0,02 ponto percentual não pareça expressiva. Em contrapartida, a previsão de crescimento para o ano que vem subiu de 2,50% para 2,58%.

A estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA), que é a inflação oficial do País, não sofreu alteração, e segue projetada em 3,87% para este ano. Caso o resultado seja obtido, a meta inflacionária estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,25%, será cumprida. Resultados entre 2,75% e 5,75% estão no intervalo de tolerância, que é de 1,5 ponto percentual.

Taxa Selic, instrumento do BC para controlar a inflação

Taxa Selic, que segue em sua mínima histórica, de 6,5%, ajuda a controlar a inflação e pode mudar o PIB
Antonio Cruz/Agência Brasil
Taxa Selic, que segue em sua mínima histórica, de 6,5%, ajuda a controlar a inflação e pode mudar o PIB

Para atingir a meta, uma das formas de controle do BC é alterar a taxa básica de juros da economia, a Selic , que segue em sua mínima histórica, de 6,5% , e assim deve permanecer até o final deste ano, segundo as projeções do Focus. Para o final de 2020, no entanto, a estimativa para a taxa é de 8%, valor que se repete em 2021 e 2022.

A Selic serve como referência para os demais juros da economia e funciona como a taxa média cobrada nas negociações com títulos emitidos pelo Tesouro Nacional e registradas diariamente no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic).

A manutenção da Selic, como prevê o mercado financeiro para este ano, indica que o Copom considera as alterações anteriores nos juros básicos suficientes para que a meta de inflação seja atingida. Em caso de redução dos juros básicos, a tendência é que haja diminuição dos custos do crédito e incentivo à produção e ao consumo. O aumento da taxa básica, que deve acontecer no ano que vem segundo as expectativas do mercado, representa o objetivo de conter a demanda aquecida, causando reflexos nos preços, tendo em vista que os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Além do PIB e da Selic, o documento traz outras estimativas

Além do PIB, Boletim Focus faz outras projeções para a economia brasileira, como a cotação do dólar
Pixabay/Reprodução
Além do PIB, Boletim Focus faz outras projeções para a economia brasileira, como a cotação do dólar

Semanalmente, o Focus apresenta as projeções do mercado financeiro para a economia brasileira, mas sem deixar de acompanhar o cenário internacional. Tendo em vista esse olhar global, outras avaliações são feitas, como a cotação do dólar, o saldo da balança comercial e a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil.

O dólar opera em alta nesta segunda-feira (18), sobretudo por conta da crise do governo que envolve o filho do presidente, Carlos Bolsonaro (PSL), e Gustavo Bebbiano, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, que deverá deixar o cargo.  A moeda norte-americana era cotada a R$ 3,7401 por volta de 12h40. Segundo as expectativas do mercado, a cotação deve terminar o ano em R$ 3,70.

A balança comercial, que apresenta o resultado total das exportações menos as importações, teve seu resultado estimado para o ano reduzido, passando de US$ 51 bilhões para US$ 50,5 bilhões. Para 2020, a expectativa não foi alterada, e é de US$ 48 bilhões.

A previsão de entrada de investimentos estrangeiros diretamente no Brasil também caiu para este ano, passando de US$ 80 bilhões para US$ 79,5 bilhões, enquanto a expectativa para o ano que vem saltou de US$ 82,44 bilhões para US$ 82,52 bilhões.

As quedas de olho no exterior, representadas nas expectativas para a balança comercial e a entrada de investimentos estrangeiros, ajuda a explicar a redução de expectativa para o PIB em 2019. Com menos investimentos diretos e exportações, a tendência é que o câmbio possa ser afetado a médio prazo, assim como o crescimento da economia.