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Ministro da Economia disse que mudanças nas regras para a aposentadoria terão "poderoso efeito fiscal" para "resolver" rombo por até 30 anos

No Fórum Econômico Mundial, em Davos, Paulo Guedes defende reforma da Previdência e promete abertura econômica
Alan Santos/Presidência da República
No Fórum Econômico Mundial, em Davos, Paulo Guedes defende reforma da Previdência e promete abertura econômica

O ministro da Economia, Paulo Guedes, projetou que a reforma da Previdência elaborada pelo governo pode representar economia de até R$ 1,3 trilhão em dez anos. Caso o cenário se confirme, o benefício fiscal será bem superior ao que era projetado pelo governo Michel Temer (MDB), que estimava economia entre R$ 480 bilhões e R$ 800 bilhões no mesmo período.

Leia também: Governo tem ao menos quatro projetos que podem embasar a reforma da Previdência

Em entrevista concedida à agência Reuters durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), Guedes voltou a apontar, em tom de terrorismo, a reforma da Previdência como medida fundamental. "É isso ou seguimos [o caminho da] Grécia", alarmou o ministro, tomando como exemplo o país europeu que entrou em grave crise em 2009 devido aos gastos com aposentados e pensionistas.

"Estamos estudando os números [da economia com a aprovação da medida] e eles variam de R$ 700 a R$ 800 bilhões, a R$ 1,3 trilhão. Então é uma reforma significativa e nos dará um importante ajuste estrutural fiscal", disse Guedes. "Isso terá um poderoso efeito fiscal e vai resolver por 15, 20, 30 anos."

A aprovação do pacote de alterações nas regras da aposentadoria para aliviar o rombo previdenciário no País é encarada como ponto-chave para o governo Jair Bolsonaro (PSL). Em Davos , o tema interessa muito a investidores internacionais, uma vez que a reforma pode representar o compromisso da equipe do novo governo com uma agenda de equilíbrio fiscal e estabilidade.

Apesar do tom de urgência adotado por Paulo Guedes e por sua equipe quanto ao assunto, a aprovação da  reforma ficou de fora da lista de metas do governo para os primeiros 100 dias. A relação de objetivos iniciais da nova gestão foi divulgada nessa quarta-feira (23) pelo ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, segundo o qual as mudanças na Previdência não foram citadas por se tratarem de "uma questão complexa e que ainda está em análise".

Um dos pontos do projeto a ser apresentado ao Congresso que mais têm provocado divergência entre os integrantes do governo, até aqui, é a questão dos militares. Há setores da gestão Bolsonaro que torce o nariz contra mudanças nas regras para a aposentadoria da categoria, enquanto outras alas admitem que é preciso incluir os militares na reforma.

Também em Davos, o presidente Bolsonaro afirmou, em entrevista à Bloomberg , que os militares serão incluídos na "segunda parte" da reforma , que foi prometida como um projeto "bastante robusto".

Paulo Guedes, em sua entrevista, também voltou a falar sobre a redução na alíquota do Imposto de Renda cobrado das empresas. Segundo o ministro, a redução na taxa de 34% para 15% será compensada pela taxação de dividendos – que hoje são isentos de impostos.

Além de exaltar a economia projetada pela reforma da Previdência em estudo, Guedes ainda prometeu reduzir a carga tributária do Brasil e indicou que o governo considera extinguir até 50 estatais ainda neste primeiro semestre de 2019.

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