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Banco criou uma nova página com informações de empresas e países que foram clientes nos últimos 15 anos; presidente prometeu mais investigações

No Twitter, Bolsonaro divulgou novo link com informações do BNDES e afirmou que investigações serão mais profundas
Evaristo SA/AFP
No Twitter, Bolsonaro divulgou novo link com informações do BNDES e afirmou que investigações serão mais profundas


O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgou, nesta sexta-feira (18), um link que reúne os nomes dos 50 maiores clientes do banco e as operações realizadas para eles durante os últimos 15 anos. A plataforma também divulgou uma lista de países que fizeram empréstimos com o Brasil.

Leia também: BNDES planeja abrir "caixa-preta" e divulgar lista com seus 50 maiores devedores

De acordo com o BNDES , essas informações sempre estiveram presentes em seu site, mas a nova visualização disponível é mais simples e acessível à população, já que engloba todas as informações em uma única página.

O banco também informou que pretende ser mais transparente, facilitando transparência e facilitar ao público entendimento sobre suas operações e investimentos. "A disponibilização da lista, com acesso a um grande número de detalhes de cada operação, é parte do esforço de transparência que o Banco tem feito e que deve ser a marca das suas ações sempre", informou, em nota.

Segundo o site da instituição financeira, os cinco maiores clientes do banco entre 2004 e 2018 foram Petrobras , Embraer, Norte Energia, Vale e a construtora Odebrecht, respectivamente. 

Entre os R$ 18 bilhões em empréstimos do BNDES nesse período, a Petrobras também ficou em primeiro como a maior tomadora de recursos: foram R$ 62,429 bilhões.

Confira a lista com as dez maiores tomadoras de recursos do banco:

  1. Petrobras
  2. Embraer
  3. Norte Energia
  4. Vale
  5. Construtora Odebrecht
  6. Estado de São Paulo
  7. Transportadora Associada de Gás (TAG)
  8. Tim
  9. Telefônica Brasil
  10. Fiat Chrysler

Para conferir a lista completa com as 50 empresas que mais pediram empréstimos ao BNDES , clique aqui .

Além do ranking, a instituição financeira também divulgou os 14 países que mais pediram recursos para o Brasil.  Além de elencar os nomes dessas nações (Angola, Argentina, Costa Rica, Cuba, Equador estão no topo da lista), a  plataforma também especifica as razões pelas quais foram pedidos e cedidos cada empréstimo.

Em sua conta no Twitter, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) elogiou o link do BNDES e afirmou que esse tipo de empréstimo será investigado "mais a fundo".  "Tire suas conclusões", escreveu, publicando o site do banco.





Confira a lista completa de países que conseguiram empréstimos com o  Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social :

  1. Angola
  2. Argentina
  3. Costa Rica
  4. Cuba
  5. Equador
  6. Gana
  7. Guatemala
  8. Honduras
  9. México
  10. Moçambique
  11. Paraguai
  12. Peru
  13. República Dominicana
  14. Venezuela

A "caixa-preta" do BNDES

Desde o início da corrida eleitoral, uma das principais pautas da campanha de Jair Bolsonaro é abrir a
EVARISTO SA / AFP
Desde o início da corrida eleitoral, uma das principais pautas da campanha de Jair Bolsonaro é abrir a "caixa-preta" do BNDES


Uma das promessas de campanha de Bolsonaro era justamente "abrir a  caixa-preta do BNDES  e de outros órgãos". Após eleito, o presidente foi às redes sociais reafirmar o compromisso de "revelar ao povo brasileiro o que feito com seu dinheiro nos últimos anos."



O representante do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União ( TCU ), procurador Júlio Marcelo de Oliveira, reclamou em um debate no Senado, em 2015, que não há como avaliar se o banco aplica os recursos bem ou não. "O banco é hoje uma caixa preta na administração pública. O BNDES resiste a todas as tentativas de fiscalização mais profunda do TCU", disse. 

Leia também: Joaquim Levy assume BNDES prometendo transparência e combate às distorções

Após o atrito,  BNDES  e TCU firmaram parceria para divulgar mais dados ao público, e desde então o processo de transparência da instituição ganha força. A expectativa é que, sob o novo governo, isso se amplie, tendo em vista as posições de Bolsonaro. Historicamente, de fato, não eram divulgados dados das transações que envolviam o banco, algo que foi transformado a partir de 2012, quando entrou em vigor a Lei de Acesso à Informação.

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