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Guru de Bolsonaro foi professor universitário durante a ditadura militar no Chile e aposta no pensamento liberal para alavancar o crescimento do País

Carioca, Paulo Guedes é mestre e doutor pela Universidade de Chicago (EUA) e já foi professor da PUC-Rio e da FGV
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Carioca, Paulo Guedes é mestre e doutor pela Universidade de Chicago (EUA) e já foi professor da PUC-Rio e da FGV

Primeiro a ser confirmado para o governo de Jair Bolsonaro (PSL), Paulo Roberto Nunes Guedes é o novo ministro da Economia do Brasil. O carioca de 69 anos é mestre e doutor em Economia pela Universidade de Chicago (EUA) e foi professor da PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Rio de Janeiro e da FGV (Fundação Getúlio Vargas). O economista é também cofundador do Banco Pactual – posteriormente comprado e transformado em BTG Pactual – e do Ibmec (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais).

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Foi durante seus estudos em Chicago que Paulo Guedes conheceu Jorge Selume Zaror, ex-diretor de Orçamento na ditadura militar de Augusto Pinochet (1973-1990) no Chile. Por volta do início da década de 1980, a convite de Zaror, Guedes se tornou pesquisador e acadêmico da Faculdade de Economia e Negócios da Universidade do Chile, a instituição pública mais antiga e importante do país. 

A oferta veio em boa hora. Ao jornal El País , o jornalista chileno Cristián Boffil, especialista em política brasileira, relatou que Guedes se sentiu "marginalizado" no Brasil após sua formação em Chicago, uma vez que os economistas da época não lhe deram as posições acadêmicas ou os cargos no governo que o novo ministro sentia que merecia. Ir ao Chile, por fim, lhe deu a oportunidade de conhecer as reformas que os chamados "Chicago Boys" estavam promovendo no país.

Durante a campanha eleitoral, também ao El País , Guedes disse não se sentir culpado por ter trabalhado em um regime ditatorial. "É a mesma coisa que você ser dono do Starbucks e aí entra um ditador e toma café na sua loja", comparou o ministro. "Eu era um professor. Minha produção acadêmica era muito superior ao que se praticava nas universidades daqui. Não é que eu fui para o Chile, para a ditadura... Eu recebi um convite da Universidade do Chile e fiquei por seis meses", justificou-se.

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Considerado o guru de Bolsonaro , que admitiu que "não entendia nada de economia" e o apelidou de "posto Ipiranga", Guedes assume com a promessa de "privatizar o que for possível", dar jeito no rombo da Previdência e zerar o déficit fiscal, que fechou 2018 em torno de R$ 139 bilhões, em apenas um ano. O ministro  ainda precisará pensar numa reforma tributária que minimize as disparidades causadas pelos impostos sobre consumo e diminuir o desemprego, que hoje atinge mais de 12 milhões de brasileiros.

Investigações

Paulo Guedes é investigado por suspeitas de gestão fraudulenta em fundos de investimentos ligados a estatais brasileiras
Fernando Frazão/Agência Brasil
Paulo Guedes é investigado por suspeitas de gestão fraudulenta em fundos de investimentos ligados a estatais brasileiras

No início de outubro, o Ministério Público Federal (MPF) decidiu investigar Paulo Guedes por suspeita de fraude em fundos de pensão administrados junto a dirigentes associados ao PT e ao MDB. Ligados a estatais brasileiras, segundo os autos da investigação revelados pelo jornal  Folha de S.Paulo , esses fundos de investimento receberam aportes no valor de R$ 1 bilhão entre 2009 e 2013. Dentre os papéis, estão o Previ (Banco do Brasil), o Petros (Petrobras) e o BNDESpar, que atua com investimentos no mercado de capitais.

De acordo com o MPF, o fundo BR Educacional, administrado por Guedes, investiu o dinheiro de seus cotistas em apenas uma empresa, a HSM Educacional S/A, também controlada pelo ministro. Com esses recursos, a HSM comprou 100% do capital de outra companhia criada por Guedes, a HSM do Brasil S/A. O que chamou a atenção dos investigadores foi o ágio de R$ 16,5 milhões pago ao HSM Group, sediado na Argentina, pelas cotas da HSM do Brasil, cujo valor foi calculado com base em um laudo porque a empresa não possuía ações em bolsa.

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Questionada sobre o caso na época, a defesa do ministro negou as acusações, dizendo que a denúncia era "uma afronta à democracia" e tinha como objetivo confundir o eleitor. Em 30 de novembro, porém, a Polícia Federal abriu um inquérito para investigar as suspeitas de gestão fraudulenta contra Paulo Guedes . No dia seguinte, Bolsonaro disse que "desconhecia" as denúncias e que tinha um acordo com o ex-juiz Sérgio Moro, agora ministro da Justiça, para afastar qualquer integrante do seu governo que for acusado de maneira "robusta".

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