Tamanho do texto

Segundo relatório divulgado pelo Ministério do Planejamento, corte é necessário para que o Governo Central cumpra a meta de déficit primário

A cada dois meses, o Ministério do Planejamento apresenta o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas, documento que orienta a execução do Orçamento Geral da União durante o ano
Shutterstock
A cada dois meses, o Ministério do Planejamento apresenta o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas, documento que orienta a execução do Orçamento Geral da União durante o ano

Depois de liberar recursos nos últimos meses, a equipe econômica do governo de Michel Temer decidiu contingenciar R$ 2,36 bilhões em despesas discricionárias do Orçamento Geral da União de 2018. A informação consta no Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, divulgado na última quinta-feira (22) pelo Ministério do Planejamento.

Leia também: Prévia da inflação de novembro indica menor valor desde 2003, diz IBGE

A cada dois meses, o Planejamento apresenta o relatório, que orienta a execução do orçamento . O documento contém previsões para a economia, as receitas e as despesas. Dependendo dos números, o governo corta ou libera recursos para cumprir a meta de déficit primário e o teto de gastos federais.

De acordo com o relatório, o corte de R$ 2,36 bilhões é necessário para que o Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) cumpra a meta de déficit primário de R$ 159 bilhões estipulada para 2018. O déficit primário é o resultado negativo das contas do governo antes do pagamento dos juros da dívida pública.

A distribuição dos cortes conforme os ministérios e os demais órgãos federais será definida por um decreto que será editado até o próximo dia 30. Segundo o Planejamento, a queda da previsão de receitas, em ritmo maior que a redução nas projeções de despesas, justificou o contingenciamento adicional.

Receitas

Segundo avaliação do Planejamento sobre o orçamento da União, as maiores reduções nas receitas primárias decorreram da arrecadação observada até outubro, abaixo da estimada originalmente
Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Segundo avaliação do Planejamento sobre o orçamento da União, as maiores reduções nas receitas primárias decorreram da arrecadação observada até outubro, abaixo da estimada originalmente

A estimativa para as receitas líquidas em 2018 passou de R$ 1,230 trilhão para R$ 1,226 trilhão, uma queda de R$ 4,47 bilhões. A previsão de despesas obrigatórias caiu R$ 2,111 bilhões, em ritmo inferior ao necessário para compensar a queda na arrecadação. A diferença entre os dois valores (receitas e despesas) equivale ao corte.

Leia também: BC simplifica regras de depósito e injeta R$ 2,7 bilhões na economia

Segundo o Planejamento, as maiores reduções nas receitas primárias decorreram da arrecadação observada até outubro, abaixo da estimada originalmente. Os principais impostos que influenciaram a nova previsão foram o Imposto de Importação (R$ 1,7 bilhão) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI, R$ 1,5 bilhão).

A previsão de arrecadação para a Previdência registrou queda de R$ 788,1 milhões, não só por causa do resultado verificado até outubro, mas também pela revisão nos parâmetros de mercado de trabalho e das mudanças de contabilidade provocadas pelo e-Social, sistema que unifica as informações que os empregadores prestam ao governo.

Também houve uma redução na projeção da receita com exploração de recursos naturais (R$ 898,1 milhões), influenciada principalmente pela queda da produção de petróleo em agosto e setembro. A previsão de receita de concessões caiu R$ 1,24 bilhão, muito em virtude do adiamento do ingresso da receita de outorga da usina hidrelétrica de Porto Primavera, associada à privatização da Companhia Energética de São Paulo (Cesp).

Despesas

Os gastos previstos no orçamento com abono e seguro desemprego subiram R$ 497,6 milhões; as despesas com as compensações da desoneração da folha de pagamentos aumentaram R$ 198,2 milhões
Getty Images
Os gastos previstos no orçamento com abono e seguro desemprego subiram R$ 497,6 milhões; as despesas com as compensações da desoneração da folha de pagamentos aumentaram R$ 198,2 milhões

Em relação às despesas, as principais quedas ocorreram nos benefícios da Previdência Social, com redução de R$ 1,49 bilhão, e nos gastos com o funcionalismo federal. Estes últimos, alvos das vedações impostas pela lei eleitoral e pela Lei de Responsabilidade Fiscal, que impediram reajustes nos meses finais de mandato, caíram R$ 752,3 milhões.

Leia também: Economia cresceu 1% entre o segundo e o terceiro trimestre, aponta FGV

Por outro lado, os gastos previstos no orçamento  com abono e seguro desemprego subiram R$ 497,6 milhões com a inclusão de despesas do Programa Seguro Emprego. As despesas com as compensações da desoneração da folha de pagamentos aumentaram R$ 198,2 milhões, motivadas pelas transferências realizadas até outubro e pelo aumento da massa salarial.


*Com informações da Agência Brasil

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.