Tamanho do texto

Equipe de Jair Bolsonaro queria a permanência de Ilan Goldfajn no cargo, mas o atual presidente do Banco Central preferiu deixar o posto

Caberá a Roberto Campos Neto, futuro chefe do Banco Central, zelar pela política cambial, fixar a taxa de juros, regular o sistema bancário e perseguir as metas de inflação fixadas pelo governo
Arquivo/Agência Brasil
Caberá a Roberto Campos Neto, futuro chefe do Banco Central, zelar pela política cambial, fixar a taxa de juros, regular o sistema bancário e perseguir as metas de inflação fixadas pelo governo

A equipe de transição do presidente eleito da República, Jair Bolsonaro (PSL), confirmou nesta sexta-feira (15) que o economista Roberto Campos Neto será o indicado para chefiar o Banco Central.

Leia também: Banco Central reduz previsão de crescimento do PIB em 2018 de 1,6% para 1,4%

A preferência dos consultores econômicos do capitão reformado, inclusive do futuro ministro Paulo Guedes, era pela preferência de Ilan Goldfajn, atual presidente da instituição, no cargo. Indicado por Michel Temer (MDB), Goldfajn goza de prestígio junto ao mercado financeiro, que considera satisfatória sua gestão frente à autarquia. Ele, contudo, preferiu deixar o posto, o que abriu espaço para a indicação de Roberto Campos Neto .

Campos Neto, como sugere seu nome, é neto de Roberto Campos, que foi ministro do Planejamento de Castelo Branco durante a ditadura militar. O indicado por Bolsonaro ao Banco Central tem 49 anos e construiu sua carreira como operador financeiro. Para tomar posse, seu nome terá ainda de passar por uma sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal.

Leia também: Guedes quer independência do Banco Central e defende permanência de Goldfajn

Campos Neto tem perfil liberal, é apoiador de medidas que restrinjam o tamanho do estado, sendo portanto próximo de Paulo Guedes. Formado em economia pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, e com especialização em finanças, ele já ocupou funções no Banco Bozano Simonsen, no banco Claritas e no Santander Brasil, último posto antes da recente indicação.

Cabe ao chefe do Banco Central - uma autarquia ligada ao ministério da Fazenda que tem status de ministério - zelar pela política cambial do país, fixar a taxa de juros básica, regular o sistema bancário nacional, bem como perseguir as metas de inflação fixadas pelo governo.

Para a Secretário do Tesouro Nacional, deverá permanecer o economista Mansueto Almeida, no cargo desde abril de 2018. Com experiência no setor público, ele passou pelo IPEA e ocupado posições no Ministério da Fazenda.

Por ter status de ministro, Roberto Campos Neto , o futuro chefe do Banco Central, contará também com foro privilegiado na Justiça. A indicação se dá enquanto corre no Legislativo um projeto de lei para conferir autonomia formal à instituição, proposta que foi defendida por Bolsonaro durante a corrida presidencial. 

Leia também: Mercado eleva expectativa da inflação para 4,40%, indica Boletim Focus

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.