Tamanho do texto

Conselho de Estado anunciou hoje a adoção de medidas de apoio ao setor privado, após registrar neste trimestre seu menor crescimento na década

China registrou menor crescimento da década no último trimestre
shutterstock
China registrou menor crescimento da década no último trimestre

O Conselho de Estado chinês anunciou nesta segunda-feira (22), após reunião liderada pelo primeiro-ministro Li Keqiang, que pretende implantar políticas mais favoráveis ​​para garantir o desenvolvimento estável e saudável do setor privado na China, como a redução da carga tributária.

A adoção de políticas que incentivem o setor privado na China  surge como estratégia para frear a desaceleração da economia no país , que teve no terceiro trimestre o menor crescimento dos últimos nove anos (6,5%). 

Nesse cenário, um alento para a segunda maior economia mundial vem justamente da iniciativa privada, que foi responsável por aumento das vendas no varejo no País no mês de setembro. O setor registrou aceleração de 9,2% em ritmo anual no mês de setembro, dois décimos a mais que em agosto, diminuindo em parte o sinal de uma conjuntura preocupante para os próximos meses.

Guerra comercial impõe à China menor crescimento da década

Tensões comerciais aumentam riscos à economia global e causam menor crescimento da década na China
Divulgação/Twitter/Potus
Tensões comerciais aumentam riscos à economia global e causam menor crescimento da década na China





As tensões comerciais entre Estados Unidos e China é um dos principais causadores da diminuição do crescimento do PIB chinês neste trimestre. O governo de Donald Trump adotou, desde o mês de julho, tarifas de importação para produtos do país asiático que alcançam US$ 250 bilhões por ano, o que provoca respostas de Pequim: US$ 110 bilhões em tarifas de bens americanos.

Leia também: Tensões comerciais deixam estabilidade econômica global sob riscos, diz FMI

As exportações, que seguem como um dos principais motores da economia chinesa, sofrem com as taxas sobre automóveis, máquinas e eletrodomésticos chineses, pois muitas companhias transferiram a produção ou simplesmente congelaram investimentos na China.

O governo asiático faz esforços para reduzir a dívida (que é de 250% do PIB) enquqnaot encara a postura rígida e intransigente do presidente norte-americano, que busca endurecer as relações com os chineses e recuperar parte da dívida da China com os EUA. A tensão política envolve muitas economias ao redor do mundo e enche o mercado de incertezas.

As grandes obras de infraestrutura e do setor imobiliário são muito afetadas pelo esforço do governo chinês em endurecer as condições de crédito, pressionar as autoridades locais para reduzirem gastos públicos e os investimentos ao crédito, o que ajuda a explicar a diminuição do crescimento do PIB que atingiu o menor valor da década e dificulta o financiamento das empresas.

O PIB da China totalizou 82,7 trilhões de iuanes (US$ 11,93 trilhões) em 2017 e um corte de impostos na casa de 1% do PIB em 2019 representaria pelo menos 827 bilhões de iuanes.

O presidente do Banco do Povo da China afirmou, na sexta-feira (19), que os valores atuais das ações chinesas não se alinham com fundamentos econômicos sólidos, e que o banco irá adotar medidas para ajudar a aliviar o desaquecimento da economia e encorajar bancos comerciais a aumentar os empréstimos à empresas do setor privado.

Os investimentos em capital fixo permanecem perto do nível de alta mais frágil já registrado nesta década, com 5,4% no primeiro trimestre e 5,2% no segundo, com avanço semestral de 5,3%.

Leia também: China responde aos EUA com mesma sobretaxa de 25% sobre produtos americanos

Os cortes de impostos para estimular o setor privado na China para o ano que vem poderão exceder o equivalente a 1% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo afirmado por assessor do banco central. A medida sinaliza que as autoridades podem estar considerando uma nova era de redução de impostos, algo que pode virar tendência global.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.