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Sobre os salários, as mulheres continuam a ganhar menos que os homens de mesmo cargo, 87% do que eles ganham; a média anual de desocupação medida pelo IBGE fechou 2017 em 12,7%, maior índice já registrado na série

Brasil Econômico

Desemprego feminino: entre as trabalhadoras com carteira assinada houve recuo de 2,1% na taxa de ocupação
CNM/CUT
Desemprego feminino: entre as trabalhadoras com carteira assinada houve recuo de 2,1% na taxa de ocupação

Cresce o  desemprego entre mulheres na Região Metropolitana de São Paulo. De acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (7) pela Fundação Seade e o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Econômicos (Dieese), a taxa de desemprego feminino passou de 18,3% para 19,7% entre os anos de 2016 e 2017. No mesmo período,  a média anual de desocupação medida pelo IBGE fechou 2017 em 12,7% e foi o maior índice já registrado na série histórica.

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O estudo ainda identificou que o grupo mais atingido pelo desemprego feminino é o das empregadas domésticas, que obteve redução em 6,7% na taxa de ocupação, enquanto que entre as trabalhadoras com carteira assinada no setor privado, o recuo foi de 2,1%. Vale destacar que entre os homens da região metropolitana de São Paulo o índice de desemprego ficou em 16,5% no ano de 2017.

Sobre os salários, a notícia já é um pouco mais animadora para as mulheres, uma vez que houve variação positiva de 1,2% na renda delas entre os anos de 2016 e 2017, o que dá, em média, R$ 10,79, por hora trabalhada. Contudo, quando as instituições comparam essa média com o valor recebido pelos homens, o dado já não fica tão promissor assim, já que eles recebem R$ 12,42 por hora. Ou seja, o que uma mulher recebe em média, por hora, equivale a 87% do que é recebido pelos homens. Em 2016, a proporção era ainda menor, de 84%.

As entidades responsáveis pela pesquisa não deixaram ainda de apontar que a "expansão da participação da mulher no mercado de trabalho  tenha sido marcante nas últimas décadas, embora não acompanhada pela equidade de gênero. As dificuldades de sua inserção laboral são amplamente conhecidas, como os menores rendimentos em relação aos homens e as dificuldades em adentrar nichos reconhecidos como masculinos".

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Nova era?

Em 2017, pelo menos 33,4% dos empreendedores da Região Metropolitana de São Paulo eram do sexo feminino. Vale destacar que as entidades consideraram empreendedoras as mulheres que atuaram como profissionais liberais autônomas, empregadoras, donas de negócio familiar, autônomas que trabalham para o público em geral e autônomas que trabalham para mais de uma empresa. Ou seja, circunstâncias que as distanciam de salários que são fruto de carteira assinada e de casos em que há relação de subordinação.

Outra característica detectada pela pesquisa é que na faixa etária entre 25 e 49 anos, elas representam 58,1% das iniciativas de empreendedorismo na Grande São Paulo, enquanto eles chegam à marca de 56,9%. Mas, quando a régua da idade sobe para depois dos 50 anos, a situação é invertida, já que, nesse quesito, os homens representam 38,1% dos projetos empresariais. Entre as mulheres, o indicador ficou em 36,2%.

A Fundação Seade e o Dieese entendem que um dos aspectos responsáveis por esse destaque das mulheres no mercado de negócios é que a atividade empreendedora possibilita jornadas médias semanais de trabalho menores. “Dessa forma, as empreendedoras trabalham 38 horas semanais, três horais a menos que as assalariadas”, pontuou o estudo.

Além do índice de desemprego feminino e das iniciativas de empreendedorismo na Grande São Paulo, o estudo também mediu que a influencia de jornada adicional - afazeres domésticos – faz com que mulheres optem, quando possível, por trabalhar perto de casa e com jornadas reduzidas e não necessariamente lineares.

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*Com informações da Agência Brasil

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