Tamanho do texto

Hoje, apenas 1,6% das empresas brasileiras já passaram pelas transformações tecnológicas da "Indústria 4.0", que eleva a produtividade, além de reduzir o custo de produção e tornar indústria mais competitiva

Brasil Econômico

Atualmente, o percentual de uso das tecnologias da Indústria 4.0 nas empresas brasileiras é de 1,6%
shutterstock
Atualmente, o percentual de uso das tecnologias da Indústria 4.0 nas empresas brasileiras é de 1,6%

A digitalização do processo produtivo industrial, ou seja, a Indústria 4.0, atingirá 21,8% das empresas brasileiras em uma década, de acordo com uma pesquisa divulgada nesta terça-feira (12) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Atualmente, o percentual é de 1,6%.

Leia também: Petrobras aguarda ressarcimento de R$ 8,4 milhões da J&F

O estudo faz parte do Projeto Indústria 2027, e avalia a expectativa de 759 grandes e médias indústrias brasileiras e multinacionais em relação à adoção da Indústria 4.0 e suas tecnologias. O projeto é uma iniciativa da CNI e do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), juntamente da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Os números da sondagem dizem respeito ao nível mais alto de conexão da produção, ou Geração 4, com “tecnologias da informação e comunicação (TIC) integradas, fábricas conectadas e processos inteligentes, com capacidade de subsidiar gestores com informações para tomada de decisão”.

Tecnologias digitais

Para a realização da pesquisa, quatro gerações de tecnologias digitais foram estabelecidas: a produção pontual de TICs, a automação flexível com o uso de TICs sem integração ou parcialmente integradas, o uso de tecnologias integradas e conectadas em todas as áreas e a produção conectada e inteligente.

“Passaremos os próximos 10 anos em um processo de transformação industrial muito intenso, com as empresas, de fato, buscando trazer essa tecnologia disruptiva e implementando essas práticas dentro do seu modo de produção”, afirmou o superintendente nacional do IEL, Paulo Mól.

Segundo Mól, essas transformações tecnológicas servirão para elevar a produtividade, além de reduzir o custo de produção e tornar as empresas brasileiras mais competitivas.

Leia também: Quanto maior a demora, mais dura será a reforma da Previdência, diz ministro

Pesquisadores expõem que a indústria 4.0 é também conhecida como a quarta revolução industrial. “[Ela] resulta do uso integrado de tecnologias avançadas da automação, do controle e da tecnologia da inovação em processos de manufatura”. Fatores como o uso de robótica, novos materiais, biotecnologia, armazenamento de energia e big data fazem parte dessas transformações.

A previsão dos empresários é que os estágios 3 e 4 de uso de tecnologia cresçam nos próximos 10 anos. Desse modo, o terceiro nível deve passar de 20,5% para 36,9%. Entretanto, recuos são previstos para os demais níveis, abrindo, assim, espaço para companhias mais conectadas.

O resultado atual mostra que 77,8% das empresas brasileiras ainda estão nas gerações tecnológicas 1 e 2. Na próxima década, o maior percentual terá enfoque nos níveis 3 e 4, concentrando 58,7% das indústrias.

Influências

As tecnologias 4.0 devem ainda impactar as áreas de relacionamento com fornecedores, desenvolvimento de produto, gestão da produção, relacionamento com clientes e gestão de negócios.

Estágio de tecnologia da indústria brasileira hoje (esquerda) e daqui a 10 anos (direita)
Reprodução/CNI
Estágio de tecnologia da indústria brasileira hoje (esquerda) e daqui a 10 anos (direita)

No caso do relacionamento com fornecedores, 77,3% dos entrevistados afirmaram que a probabilidade de as tecnologias digitais serem dominantes nesta relação é muito alta.

Leia também: Com materiais sustentáveis, empresa cria móveis que não agridem o meio ambiente

Para o superintendente do IEL, a mão de obra qualificada é um dos principais desafios a ser enfrentados para que a Indústria 4.0 consiga atingir as expectativas dos empresários. “Quando falo que o Brasil deve passar por uma transformação industrial muito forte, como os dados estão mostrando, isso vai requerer um País muito apto para ser parceiro nessas transformações”, concluiu.

*Com informações da Agência Brasil

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.