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No 3º trimestre, 64,5 milhões das pessoas em idade de trabalhar ficaram fora da força de trabalho no Brasil. Nordestinos, mulheres e pardos são a maioria

IBGE mostra que rendimento médio real habitual das pessoas ocupadas estimado no Brasil é de R$ 2.115
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IBGE mostra que rendimento médio real habitual das pessoas ocupadas estimado no Brasil é de R$ 2.115

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta-feira (17) os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), que mostrou que no terceiro trimestre deste ano, a taxa composta de subutilização da força do trabalho , que integra desocupados, subocupados por insuficiência de goras e os presentes na força de trabalho potencial ficou em 23,9%, o que representa 26,8 milhões de pessoas.

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Segundo o IBGE , no mesmo período do ano passado essa taxa foi de 21,2%, enquanto que no segundo trimestre deste ano ficou em 23,8%. Os maiores resultados por Unidade da Federação partiram da Bahia, com 40,1%, Piauí, com 38,5% e Maranhão, com 37%. Já as menores foram observadas em Santa Catarina, com 10,9%, Mato Grosso, com 14,8% e Rondônia, com 15,5%.

Insuficiência de horas

A taxa combinada de subocupação por insuficiência de horas trabalhadas e desocupação, abrangente a pessoas ocupadas com jornada de trabalho inferior a 40 horas semanais e que queriam trabalhar em um período maior, juntamente das pessoas desocupadas, ficou em 18,5%, o que equivale a 19,2 milhões de pessoas.

No segundo trimestre de 2017, a taxa foi de 18,6% e no terceiro trimestre do ano passado, de 16,5%. Nesta última apuração, as maiores taxas foram observadas na Bahia, com 30,8%, Piauí, com 27,7%, Sergipe, com 25,2%, Maranhão, com 24,9% e Pernambuco, com 24,5%. Os recuos foram verificados em Santa Catarina, com 8,9%, Mato Grosso, com 12%, Rondônia, com 12,2%, Mato Grosso do Sul, com 12,8%, Paraná e Rio Grande do Sul, ambas com 13%.

Desocupação e força de trabalho potencial

Em relação à taxa combinada da desocupação e da força de trabalho potencial, relativa aos desocupados e as pessoas que gostariam de trabalhar, mas não procuraram trabalho, ou que procuraram, porém não estavam disponíveis para trabalhar, o resultado foi de 18,3%, o que representa 20,5 milhões de pessoas. No mesmo período de 2016, a taxa foi de 16,8% e no segundo trimestre de 2017, de 18,5%.

Alagoas, Maranhão, Bahia e Pernambuco detiveram os maiores registros, com respectivamente 28,7%, 28,2%, 27,9% e 27,1%. Por outro lado, Santa Catarina, com 8,8%, Rio Grande do Sul, com 10,9% e Paraná, com 12%, apresentaram as menores taxas.

Desocupação

A taxa de desocupação no terceiro trimestre do ano, de 12,4%, recuou 0,6 ponto percentual frente aos 13% do segundo trimestre, entretanto cresceu na mesma proporção se comparada aos 11,8% obtidos no terceiro trimestre do ano passado.

Ainda no confronto com o segundo trimestre de 2017, houve retração na maioria das Grandes Regiões: Sul, ao passar de 8,4% para 7,9% e Centro-Oeste, de 10,6% para 9,7%. A Região Nordeste, com 14,8%, mesmo decrescendo, permaneceu com a maior taxa de desocupação entre todas as regiões.

Rendimento

O rendimento médio real habitual das pessoas ocupadas estimado no Brasil, de R$ 2.115 ficou estável se comparado aos R$ 2.108 do trimestre anterior, e também frente aos R$ 2.065 do igual período do ano passado.

Na passagem trimestral de 2017, houve estabilidade no rendimento médio de todas as regiões. Em relação ao terceiro trimestre de 2016, as regiões Norte, com R$ 1.640 e Nordeste, com R$ 1.439 expandiram o rendimento.

A massa de rendimento médio real habitual dos ocupados registrou alta de 1,4% frente ao segundo trimestre, ficando em R$ 188,1 bilhões. A Região Sudeste deteve R$ 97.234 milhões no terceiro trimestre do ano, enquanto o Sul cresceu na passagem trimestral.  As regiões Norte, Sul e Centro-Oeste também apresentaram alta na massa de rendimento na base comparativa com o mesmo período de 2016.

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Resultado regional

Regionalmente falando, foram verificadas diferenças de patamares relativos à taxa de desocupação durante todos os trimestres avaliados. A região Nordeste manteve-se com a maior taxa de desocupação ao longo de toda série, com 14,8%, ao contrário do Sul, que apresentou a menor, com 9,7%.

Com exceção do Norte e do Sudeste, que ficaram estáveis se comparados ao segundo trimestre do ano, o Nordeste, com 14,8%, o Sul, com 7,9% e o Centro-Oeste, com 9,7% tiveram queda na taxa de desocupação. Na comparação anual, Norte, Nordeste e Sudeste registraram aumento na taxa de desocupação.

Contingente

O contingente dos desocupados no Brasil no terceiro trimestre de 2017 abrangeu 13 milhões de pessoas, com participação dos pardos, com 52,6%, brancos, com 35,6% e pretos, que subiu para 11,1%. Vale mencionar que no mesmo período de 2012, os pardos representavam 51,9% dessa população; seguido dos brancos, com 38,3% e dos pretos, com 9,3%.

População ocupada

Também no terceiro trimestre deste ano, a pesquisa evidenciou que no Brasil, 27,4% da população ocupada não tinham concluído o ensino fundamental, 57,3% tinham concluído pelo menos o ensino médio e 18,9% concluíram o nível superior. Em termos regionais, o Norte, com 34,7% e o Nordeste, com 35,7%, concentraram o maior número de pessoas que não chegaram a concluir o ensino fundamental.

Nas regiões Sudeste, com 62,8% e Centro-Oeste, com 56,4% o percentual das pessoas em idade de trabalhar e com ensino médio completo foi superior as demais regiões. Além disso, o Sudeste, com 21,9% foi a que apresentou a maior taxa de pessoas com nível superior completo, diferente da região Norte, que registrou a mais baixa, com 14,1%.

O nível da ocupação estimado no Brasil ficou em 54,1% no terceiro trimestre, mostrando-se estável em comparação ao igual semestre de 2016. As regiões Sul, com 59,4% e Centro-Oeste, com 59,3% detiveram os maiores percentuais de pessoas trabalhando e que estão em idade de trabalhar. Já o Nordeste apresentou o menor nível da ocupação, com 46,6%.

No País, o nível de ocupação dos homens ficou em 64,1% e o das mulheres, em 45%. Nesta categoria, o comportamento divergente do indicador foi observado nas cinco grandes regiões, com destaque para o Norte, onde a diferença entre homens e mulheres foi a maior, com 23,4 pontos percentuais. O Sudeste foi o com menor discrepância, com 18 pontos.

Força de trabalho

No terceiro trimestre, 38,2% das pessoas em idade de trabalhar foram classificadas como fora da força de trabalho, ou seja, não estavam ocupadas e nem desocupadas na semana de referência do levantamento. O percentual representa 64,5 milhões.

O Nordeste foi a com maior quantidade de pessoas fora da força de trabalho, com 45,3%, enquanto o Sudeste, com 35,1%, o Sul, com 35,5% e o Centro-Oeste, com 34,3% tiveram os menores percentuais.

É importante ressaltar que a população fora da força de trabalho era composta em sua maioria por mulheres, o que é evidenciado pelo resultado do trimestre avaliado, com 65,1%.

Na mesma base comparativa, o IBGE destacou os pardos como a maioria na população fora da força , com 48%. Em seguida aparecem os brancos, com 43,2% e os pretos, com 7,9%. Se considerado o ano de 2012, houve tendência de queda na proporção de pessoas declaradas brancas, e aumento nas que se declaram pretas e pardas.

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