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Em discurso para investidores, presidente disse que a baixa inflação em 2017 foi um dos fatores que contribuíram para o recuo das receitas do governo

O presidente Michel Temer justificou nesta quarta-feira (16) a alteração da meta fiscal do governo para os anos de 2017 e 2018. Em palestra a investidores, afirmou que a baixa inflação contribuiu para a queda na arrecadação. Segundo ele, a negociação do novo projeto do Refis, o refinanciamento de dívidas de empresas com a Receita Federal, fez os empresários adiarem o pagamento de impostos, o que também levou à diminuição das receitas.

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"Como o Congresso alterou radicalmente [o projeto do governo sobre o Refis], aqueles que iriam aderir, ficam esperando. E ao ficarem esperando, também não pagam tributo", disse Michel Temer em evento organizado pelo Banco Santander. "Isso aconteceu nesses últimos três ou quatro meses, que fez também cair a arrecadação. Isso criou um problema para o nosso deficit".

Segundo Michel Temer, alteração em projeto de refinanciamento também causou aumento do rombo das contas públicas
Beto Barata/PR - 16.8.17
Segundo Michel Temer, alteração em projeto de refinanciamento também causou aumento do rombo das contas públicas

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Na defesa de seu governo, o presidente disse que além da mudança da meta fiscal, houve uma preocupação com o corte de gastos, como o adiamento do reajuste para servidores e o corte de 60 mil cargos do serviço federal. "Essas alterações que fizemos, essas alterações com cortes de gastos, vão colaborar muito para esse novo Brasil. Eu vejo que o interesse dos países de investir em nosso país está crescendo cada vez mais. A queda de inflação, a queda de juros, isso tudo vai ajudando muitíssimo", disse.

De acordo com Temer, as medidas anunciadas pelo governo darão condições para que não haja aumento de impostos. "Até há duas semanas, falava-se em aumento de imposto. E eu confesso que sempre tive uma certa resistência para tanto, em qualquer categoria. Sempre eu tento governar de uma maneira que não haja aumento da carga tribuária, salvo se ela for absolutamente indispensável", disse.

O presidente ainda defendeu a aprovação das reformas da Previdência, tributária e a reforma política, consideradas por ele essenciais para evitar a alta nos tributos. Em seu discurso, Temer afirmou, por diversas vezes, que sua gestão não tomaria medidas populistas, mas, sim, populares. E ressaltou que hoje seu governo é reconhecido por decisões anteriormente criticadas, como o limite dos gastos públicos.

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"Populistas são as medidas que eu pratico hoje, são aplaudidas amanhã, e causam um grande prejuízo depois de amanhã. As populares, ou seja, aquelas voltadas ao povo, são aquelas que eu produzo hoje, são observadas amanhã, e são reconhecidas no futuro. E acho que o que nós estamos fazendo ao longo do tempo não é praticar nenhuma medida populista, tanto que muitas e muitas vezes as propostas que nós fazemos sofrem objeção, para logo depois serem reconhecidas", disse Michel Temer.

* Com informações da Agência Brasil.