Brasil Econômico

Brasil Econômico

O presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro, disse nesta segunda-feira (14) que será uma surpresa se o total de empréstimos do banco este ano chegar a R$ 65 bilhões. A estimativa otimista já representa níveis bem abaixo dos R$ 88,3 bilhões registrados em 2016. Para ele, a queda pode ser explicada pela fraca disposição do empresariado para investir em meio à crise.

Leia também: Empresa reintegrará trabalhadora demitida por discriminação religiosa

"A economia brasileira está anêmica, não há disposição para investimentos no mesmo ritmo que no passado. Esse apetite para o investimento deve ter caído no mínimo 30%", disse o presidente do BNDES . "Estamos levando de 7 a 1 com a falta de apetite do setor privado", lamentou. Castro foi convidado para realizar uma palestra na sessão plenária da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

undefined
Fernando Frazão/Agência Brasil - 1.6.17
Para Paulo Rabello de Castro, presidente do BNDES, Operação Lava Jato não deve interromper obras de infraestrutura

Leia também: Bitcoin volta a se superar e ultrapassa a marca dos US$ 4 mil

Durante o evento, ele criticou os efeitos da Operação Lava Jato sobre os investimentos. Disse que empresários detidos deveriam ter a permissão de voltar aos seus negócios para garantir a continuidade dessas empresas. Em sua fala, Castro abordou a dificuldade em se retomar algumas obras de infraestrutura.

"A maior parte das empreiteiras está com problemas de cadastro, o que inviabiliza a liberação de recursos do BNDES aos projetos em que elas estão envolvidas". A sugestão do executivo é que 10% ou 20% da empresa que cometeu um ato ilícito fossem destinados a um fundo para a Previdência. "Deveria deixar ele [o empresário preso] trabalhar e lucrar mais. Temos que destravar obras", defendeu.

Taxa de Longo Prazo

O presidente do banco disse não ver problemas, se a Medida Provisória 777, que cria a Taxa de Longo Prazo (TLP), não for transformada em lei imediatamente. "Ela começa a ter repercussão apenas em 2019, de forma que o País pode ficar um pouco mais tranquilo, porque temos mais problemas emergenciais além deste para resolver. É muito bom se for aprovada, mas também não é o fim do mundo se a gente tiver que trabalhar mais na definição", disse.

Antes prevista para esta terça-feira (15), a leitura do relatório da MP foi remarcada para a quarta-feira (16). A TLP substitui a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) em empréstimos da estatal a partir de janeiro de 2018. Atualmente, a TJLP é definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) de acordo com a meta de inflação e um prêmio de risco arbitrado discricionariamente.

Leia também: Dificuldade para cumprir meta fiscal cresce com frustração de receitas

Paulo Rabello de Castro ainda comentou o lucro líquido de R$ 1,34 bilhão que o BNDES obteve no primeiro semestre, divulgado hoje. "É muito lucrativo, nós tentamos não pedir subsídio para ninguém no banco. O banco tem como principal meta defender a boa aplicação do dinheiro público, daí o baixo grau de calote nas nossas aplicações porque os nossos clientes são muito bem selecionados e o banco nunca teve que se socorrer de verbas de subsídios para fechar suas contas", finalizou.

* Com informações da Agência Brasil.

    Veja Também

    Mais Recentes

      Mostrar mais

      Comentários