Tamanho do texto

Banco Central usa a taxa como ferramenta para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo IPCA; Selic voltou ao nível de março de 2015

Agência Brasil

Com a queda na taxa Selic, Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo
shutterstock
Com a queda na taxa Selic, Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo

Os juros básicos da economia foram reduzidos pelo Banco Central pela quarta vez consecutiva. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) baixo nesta quarta-feira (22) a taxa Selic em 0,75 ponto percentual, passando de 13% ao ano para 12,25% ao ano. A decisão era esperada pelos analistas financeiros.

LEIA MAIS: CPMF: Meirelles nega que governo tenha intenção de recriar imposto

Com esta queda, a taxa Selic retorna ao nível que estava em março de 2015. De outubro de 2012 a abril de 2013, a taxa foi mantida em 7,25% ao ano, no menor nível da história, e passou a ser reajustada gradualmente até alcançar 14,25% ao ano em julho de 2015. Somente em outubro do ano passado, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia.

O Banco Central usa a taxa como principal ferramenta para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA ficou em 0,38% em janeiro, o menor nível registrado para o mês desde o início da série, em 1979.

Considerando os 12 meses terminados em janeiro, o IPCA acumula 5,35%. Até o ano passado, o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabelecia meta de inflação de 4,5%, com margem de tolerância de 2 pontos, podendo chegar a 6,5%. Para 2017, o CMN reduziu a margem de tolerância para 1,5 ponto percentual. A inflação, portanto, não poderá superar 6% neste ano.

LEIA MAIS: JBS é intimada a pagar R$ 3 milhões por descumprir ordem judicial

Inflação

Divulgado no fim de dezembro pelo Banco Central, o Relatório da Inflação estima que o IPCA termine o ano de 2017 em 4,4%. A previsão está alinhada às projeções de mercado. Segundo o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 4,43%.

Em um período terminado no mês de agosto do ano passado, o impacto de preços administrados, como a elevação de tarifas públicas, e o de alimentos, como feijão e leite, contribuiu para a manutenção dos índices de preços em níveis altos. De lá para cá, no entanto, a inflação começou a desacelerar por causa da recessão econômica e da queda do dólar.

A queda registrada na Selic pode estimular a economia porque juros menores impulsionam a produção e o consumo num cenário de baixa atividade econômica. De acordo com o Focus, os analistas econômicos projetam crescimento de apenas 0,48% do Produto Interno Bruto em 2016. No último Relatório de Inflação, o BC reduziu a estimativa de expansão da economia para 0,8% este ano.

LEIA MAIS: Confiança da Construção Civil tem retrocesso em fevereiro, aponta FGV

A taxa Selic e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Quando reduz os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.