Brasil Econômico

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Quando você tenta pensar sobre os motivos de as pessoas preferirem ser contratadas para trabalhos full-time, talvez levante argumentos financeiros, uma vez que existem diversos benefícios para quem tem a carteira assinada, tais como FGTS e 13º salário, por exemplo; direitos que os freelancers não têm.

Contudo, embora não se fale sobre isso, também existem questões emocionais para a preferência à vida de trabalhador contratado. Aliás, essas motivações parecem ter peso muito maior do que imaginamos: para se ter ideia, 50% dos freelancers nos Estados Unidos, especialmente aqueles da Geração Y,  afirmaram que a principal desvantagem de ser independente é o sentimento de solidão, gerando uma sensação de se tornarem como  “forasteiros” no mercado de trabalho.

A empresa de consultoria empresarial Deloitte fez uma pesquisa recentemente em que entrevistou cerca de 4.000 trabalhadores dos EUA, de diferentes setores do mercado, englobando tanto empregados full-time, tanto aqueles de meio período e também os independentes. Como você pode imaginar, muitos profissionais contratados afirmaram que não trabalhariam jamais como freelancers, sendo que 60% disseram que hesitam em trabalhar por conta própria por causa do “fluxo de caixa inconsistente”, e 42% citaram a perda de benefícios pagos pela empresa como uma preocupação principal.

O fator solidão

Já entre aqueles que já foram ou que ainda são profissionais independentes, um padrão inesperado de comportamento foi notado: quase 70% disseram que, se fosse dada a escolha, não optariam por ser freelancer futuramente. Além disso, metade deles, especialmente entre os da Geração Y, afirmou que “a falta de conexão com uma cultura interna da empresa” é desestimulante. Para os responsáveis pelo estudo, essa porcentagem de insatisfação é muito maior que em qualquer outra geração de profissionais. 

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Com esses dados, o estudo concluiu que essa sensação de isolamento, que beira a solidão, pode ser apontada como um grande motivo para que menos da metade dos freelancers (48%) afirmasse que estaria “muito satisfeita” com a experiência de trabalhar por conta própria. Curioso, não?

O que empregadores podem fazer

Pela pesquisa, trabalhadores que não trabalham lado a lado com colegas e chefes sentem falta do contato cotidiano de empresas: a conversa no café, o almoço de última hora, encontros com clientes, happy hour. Enfim, tudo aquilo que gera a sensação de fazer parte de algo maior, de um projeto interessante, que cause o estímulo ao trabalho diário. 

Dessa maneira, segundo o chefe do escritório de talentos da Deloitte, Mike Preston, as companhias precisam encontrar outras maneiras para introduzir seus freelancers no projeto para que foram contratados, tais como cursos de treinamento e coaching para ajudar a desenvolver suas carreiras. “Nós estamos trabalhando agora para criar uma cultura de atração e conservação da contingência de profissionais”, conta. “Uma vez que a comunidade é importante”, completa.

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O especialista exemplifica ao citar o portal online da Deloitte, em que os contratados temporariamente podem encontrar publicações de oportunidades e de projetos abertos na empresa, juntamente com outras informações que estão disponíveis para os empregados regulares da empresa.

Em 2020, de acordo com a nova pesquisa, haverá mais de 54 milhões de profissionais independentes somente nos EUA (sendo que, agora, esse número ultrapassa 40 milhões), ou o equivalente a 45% da força de trabalho do setor privado. Além disso, muitos têm "conjuntos de habilidades únicas e uma experiência que pode ser valiosa”, destaca Preston.

Assim, ao estimular a participação dos  freelancers  como parte da equipe regular, trazendo uma cultura em que se sintam dentro da cultura da empresa, o empregador também sai ganhando, especialmente se precisarinvestir nesse tipo de contratação por um prazo longo, ou por mais de uma vez. 

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