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Aquisição amplia a posição da BM&FBovespa como maior empresa de infraestrutura de mercados da América Latina, incluindo fatias em bolsas de países como Chile e México

Fachada da sede da BM&FBovespa, a única operadora de bolsas no Brasil, no centro de São Paulo
Reuters
Fachada da sede da BM&FBovespa, a única operadora de bolsas no Brasil, no centro de São Paulo

A BM&FBovespa assumirá o controle da Cetip, maior central depositária de títulos privados da América Latina, em um negócio de quase R$ 12 bilhões e que visa otimizar os custos em um mercado em desaceleração, anunciaram as companhias em um comunicado conjunto nesta sexta-feira (8).

Pela proposta, aprovada pelos Conselhos de Administração das companhias, os acionistas da Cetip vão receber por cada ação o equivalente a 0,8991 ação da BM&FBovespa mais R$ 30,75 à vista. Desta forma, os acionistas da Cetip passarão a deter 11,8% da BM&FBovespa.

Pelo valor de fechamento da ação da BM&FBovespa nesta sexta-feira, de R$ 15,9, os acionistas da Cetip vão receber o equivalente a cerca de R$ 45 por ação. A ação da Cetip fechou a R$ 42,11.

A compra da Cetip amplia a posição da BM&FBovespa, única operadora de bolsas no Brasil, como maior empresa de infraestrutura de mercados da América Latina, incluindo fatias em bolsas de países como Chile e México.

"A administração de ambas as empresas enfatizam que esta combinação de talentos e pontos fortes vai apresentar um evento sem precedentes nos mercados financeiros e de capital do Brasil desde a criação de uma estrutura de mercado de primeira classe", informou o comunicado.

Pelos termos anunciados, a transação cria a 14ª maior empresa listada no mercado acionário brasileiro, com valor de mercado de R$ 39 bilhões, à frente da JBS. A proposta ainda será submetida a assembleias de acionistas das duas companhias.

O negócio põe fim a anos de especulações, tanto de compra da Cetip pela BM&FBovespa como de que uma poderia se tornar concorrente direta no mercado da outra. Em novembro, a BM&FBovespa fez uma primeira oferta de compra, que avaliava a Cetip em cerca de R$ 10 bilhões, e que foi rejeitada. A compradora então melhorou a oferta e posteriormente os conselhos de ambas passaram a negociar. Pelos cálculos da Reuters, a transação avalia a Cetip em cerca de R$ 12 bilhões.

O acordo pode ser desfeito se reguladores não aprovarem a combinação ou acionistas rejeitarem o negócio nos próximos 18 meses, segundo a nota.

A BM&FBovespa anunciou na quinta-feira (7) a venda de todas as ações que detinha no CME Group, num valor equivalente a 4% do capital da operadora da bolsa de Chicago, para financiar a compra da Cetip.

A união da BM&FBovespa, maior operadora de bolsa da América Latina, com a Cetip acontece num momento de fraca atividade do mercado de capitais brasileiro, dada a recessão no País e a falta de confiança dos investidores, que praticamente congelou novas aberturas de capital no mercado acionário nos últimos dois anos.

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