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Especialistas explicam como mentir no processo seletivo de uma empresa pode ser uma furada e prejudicar o candidato

Será que vale tudo em uma entrevista de emprego? Alguns candidatos recorrem a mentiras para conquistar uma vaga, especialmente em épocas de escassez de oportunidades e altas taxas de desemprego, mas o tiro pode sair pela culatra.

O candidato que mente sobre a fluência em inglês pode ser desmascarado durante a entrevista
Thinkstock/Getty Images
O candidato que mente sobre a fluência em inglês pode ser desmascarado durante a entrevista

A psicóloga e executive coach Iraceles Pires explica que se mesmo mentindo, houver a contratação, essa mentira pode comprometer a credibilidade e a carreira do candidato, além de prejudicar o bom andamento das atividades da empresa, gerando custos desnecessários e dificuldades que podem, inclusive, minar a possibilidade de o candidato participar de um novo processo.

Além disso, todo mundo sabe que a mentira tem perna curta.

“A hiperconectividade das empresas e dos recrutadores auxilia no acesso rápido de pessoas e informações, então mentiras podem ser descobertas facilmente”, acrescenta a headhunter Luciana Tegon.   

Conheça agora as 10 mentiras mais contadas pelos candidatos durante processos de recrutamento.

1. Mentir sobre a fluência no idioma
Há candidatos que mentem sobre o nível de proficiência em idiomas estrangeiros. Não faça isso! “As empresas checarão a fluência em fases avançadas do processo e se entenderem que você tentou enganá-los, você fechará as portas da empresa para futuras oportunidades”, diz Tegon.

2. Mentir sobre os motivos de demissão de empregos anteriores
A headhunter explica que para evitar dizer que foram demitidos por má performance, por ter resistido a mudanças ou por inabilidade em liderar, alguns candidatos usam cortes e reestruturações como justificativas para o desligamento da empresa.  

“Há também quem culpe a empresa, invente um acordo de demissão e responsabilize o chefe pela demissão”, indica Pires. Este último recurso pode soar especialmente negativo aos recrutadores. “Isso demonstra falta de autocrítica e assunção de responsabilidade quanto ao histórico profissional, e das próprias dificuldades que o candidato possui e não enxerga”. 

3. Mentir sobre o prazo de permanência nos empregos anteriores
Alguns candidatos mentem sobre o a breve permanência em empresas anteriores porque têm receio de serem eliminados durante o processo seletivo, segundo Tegon. Mas essa pode não ser uma boa ideia. “Algumas empresas checam a carteira profissional em fases preliminares do processo de admissão e se houver divergência, a contratação poderá ser cancelada, e sua imagem denegrida”. 

4. Mentir sobre o local de residência
Há candidatos que, com receio de nem serem convidados a participar da seleção, mentem ao dizer que vivem em locais próximos à empresa. Sustentar essa mentira por muito tempo poderá ser um grande desafio!

5. Mentir sobre as competências
Alguns candidatos dizem ter excelente relacionamento interpessoal e gostar de trabalhar em equipe, mas quando os recrutadores entram em contato com as referências dadas pelos candidatos, descobrem que o candidato contou apenas mentiras. “Se você não tem todas as competências que estão sendo pedidas, você pode tentar cativar o recrutador ao fazer paralelos com seus conhecimentos e se comprometer a adquirir essa habilidade que está sendo requisitada o mais rápido possível”, explica Tegon.

Isso quer dizer que a postura pode ser mais importante que o currículo. “Você agrada mais o recrutador quando ele percebe que você está sendo sincero e não mentindo ou exagerando. Comprometer-se a desenvolver uma competência que você não tem a dizer que você tem aquela competência ser de fato tê-la pode te colocar bem no processo”. 

6. Mentir sobre os cargos que tinha
Não é difícil encontrar candidatos que contam ter tido cargos de liderança, quando, na realidade, nunca tiveram uma equipe, diz Tegon. “Já entrevistei um candidato que disse que chefiava oito pessoas no emprego anterior e descobri que ele tinha apenas dois subordinados. Era muito melhor ele falar que tinha uma equipe pequena, mas que não via problemas em liderar ou se preparar para liderar mais pessoas”.

7. Mentir sobre ter trabalhado em grandes empresas
Mentir sobre ter trabalhado em grandes empresas e falsificar registros em carteira pode ser tipificado como um crime ocorre com mais frequência do que pensamos. Quem recorre a esse método pensa que só terá chance de avançar no processo e ser admitido se tiver trabalhado em uma grande empresa, conta a headhunter. “Ocorre que as empresas mais cuidadosas buscam referências e checam as informações concedidas pelo candidato, especialmente quando se trata de cargos de altas lideranças.”

8. Mentir sobre cursos que fizeram e certificações que obtiveram
Não minta sobre cursos que fez e certificados que conquistou. “Em uma empresa grande eles pedem comprovação de tudo o que é colocado no currículo, inclusive documentos que atestem as atividades das quais você participou. Se você colocar informações como essas no currículo e não conseguir provar depois de todo o processo, é um mico total!”, alerta Tegon.

9. Mentir sobre hobbies
É difícil um candidato dizer que bebe e frequenta baladas no final de semana, ou que tem hobbies que geram risco de afastamento por acidente ou lesões, como motociclismo, esportes radicais e artes marciais.

10. Mentir sobre condições de saúde
Candidatos que sofrem de doenças crônicas tendem a mentir sobre suas condições de saúde. O problema dessa mentira é que se descoberta, ela pode provocar a demissão do candidato. Ou seja, o candidato que mente sobre seu estado de saúde pode estar dando um tiro no próprio pé.

Embora a entrevista de emprego seja uma venda – da sua imagem e das suas competências –  as estratégias usadas para enaltecer suas qualidades e seduzir o recrutador tem um limite. Não o ultrapasse.

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