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Com expectativa de um 2016 ruim para vendas, grandes redes de lojas pretendem expandir menos neste ano

Shopping centers estão entre os estabelecimentos que mais contratam no fim de ano
Arquivo/Agência Brasil
Shopping centers estão entre os estabelecimentos que mais contratam no fim de ano

Depois de um ano de freada nos investimentos, o varejo tende a manter os planos de aberturas de novas lojas estagnados. A maior parte das grandes redes abandonou o curso das inaugurações, que vinham se acelerando, pelo menos, desde 2010. Para 2016, o cenário tende a continuar fraco e, em alguns casos, as perspectivas são ainda mais conservadoras do que as de 2015

"Dada a expectativa de que 2016 e 2017 ainda sejam muito ruins para as vendas, o varejo precisa fazer essa parada, o volume de lojas novas esse ano vai ser pequeno", diz Ana Paula Tozzi, CEO da GS&AGR Consultores. Ela lembra que as redes acabam abrindo alguns poucos pontos de venda ao enxergar oportunidades de entrar em regiões de interesse, mas, ao mesmo tempo, seguem revendo operações e fechando lojas abertas durante períodos mais otimistas da economia e que ainda não dão lucro.

Entre as companhias de varejo de moda, a mudança de curso foi notável. Dados das divulgações de resultado de Cia. Hering, Marisa, Riachuelo e Arezzo&Co mostram que elas tiveram o pior período para o crescimento da base de lojas em cerca de cinco anos. Pela frente, as expectativas ainda são fracas.

No caso da Cia. Hering, foram 15 lojas de saldo positivo entre aberturas e fechamentos em 2015, ante uma média de mais de 80 adições líquidas por ano no passado. O mercado espera ainda que a companhia não tenha nenhuma adição líquida de ponto de venda em 2016. A Marisa Lojas, por sua vez, encerrou 2015 com 7 lojas a menos que no ano anterior e também não tem novas inaugurações como foco este ano. Na Riachuelo, que encerrou com 28 lojas de saldo no ano passado, serão 15 aberturas este ano.

O varejo de eletroeletrônicos é outro segmento bastante afetado e que deve continuar reduzindo investimentos. Em 2015, Casas Bahia e Pontofrio, da Via Varejo, perderam 23 lojas no saldo entre aberturas e fechamentos e, para 2016, não deve haver nenhuma inauguração. O Magazine Luiza ganhou 30 lojas, mas essa alta só se justificou porque a companhia tinha contratado os pontos de venda desde o início do ano passado. Embora a empresa não divulgue guidance para 2016, a expectativa do mercado também é de que não haja nenhuma abertura líquida, conforme projetou em relatório recente o BTG Pactual.

A freada atinge até mesmo redes de lojas cujas vendas sofrem menos na crise, caso da Lojas Americanas. A companhia teve 89 aberturas líquidas, ante uma média de mais de 100 nos três anos anteriores. Embora a previsão oficial seja de 140 inaugurações em 2016, os analistas questionam se o ambiente macroeconômico difícil não poderia impedir a realização dessa meta. "Lojas Americanas não ficou imune ao ambiente macroeconômico desafiador o qual forçou uma desaceleração relevante nas aberturas de loja em 2015, potencialmente arriscando o crescimento nos próximos anos", afirmou Marcel Moraes, do Deutsche Bank, em relatório.

Shoppings
Sem o apetite dos lojistas para novas aberturas, os shoppings também seguram investimentos e adiam novos empreendimentos. A Multiplan conta com o projeto pronto do ParkShopping Jacarepaguá, com obras iniciais já começadas, mas está segurando o lançamento do empreendimento ao mercado. O cenário nacional atual inibe muito o investimento e a tomada de posição de varejistas importantes, explicou o diretor presidente, José Isaac Peres.

Pela falta de clareza do cenário econômico, a BRMalls deixou de fornecer uma data estimada para inauguração de duas expansões, que antes eram previstas para 2018 e 2019. Já a Sonae Sierra Brasil diz estar se preparando para investir em "oportunidades estratégicas", mas continua alocando capital em aplicações financeiras de curto prazo e baixo risco.

Para Julio Takano, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Equipamentos e Serviços para o Varejo (Abiesv), a crise atual encerra um ciclo de dez anos de expansão mais acelerada do varejo. "Vivemos anos em que muita gente abria mais de 50 lojas por ano e acredito que, em muitos casos, havia mais lojas do que a capacidade do mercado de absorver", diz. "É um ajuste necessário", acrescenta. Os fornecedores dos equipamentos de loja tiveram em 2015 uma retração de 3,5% no faturamento e esperam estagnação em 2016.