Commodity dispara 400% com guerra
Felipe Moreno
Commodity dispara 400% com guerra

A guerra entre Rússia e Ucrânia continua a deixar efeitos significativos no mercado de commodities. Hoje, é a vez do preço do níquel explodir: a commodity, que antes da guerra era negociada a US$ 25.000 por tonelada, quadruplicou de preço nas últimas semanas e bateu US$ 100.000 por tonelada na madrugada desta terça-feira. Apenas ontem, a alta foi de 111%.

A commodity chegou a ter suas operações suspensas na LME (London Metal Exchange) devido ao movimento de alta. A Rússia é a maior produtora de níquel do mundo, sendo a Nornickel a maior companhia da commodity do planeta – e o metal é muito importante para a indústria de baterias, cada vez mais em alta por conta da indústria de carros elétricos. Sanções ao país, portanto, fizeram o preço disparar.

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Ironicamente, as sanções e o aumento de preço podem ser significativos para, efetivamente, quebrar os produtores da commodity. Uma alta de preço de 400% em um de seus produtos, em teoria, é uma coisa boa para qualquer empresa, certo? Errado.

Produtores de commodities tendem a se proteger de mudanças de preços shorteando a própria produção em contratos futuros. Na maioria das vezes, com os mercados funcionando normalmente, isso funciona e eles conseguem se proteger de mudanças de preços que atrapalhariam suas operações.

Um salto de 400%, porém, cria um cenário complicado: enquanto a produção ainda não ocorreu e o metal ainda não foi vendido, os produtores vão ter de pagar chamadas de margens nos contratos em aberto – o que pode causar um prejuízo financeiro muito grande para muitos deles.

Um grande player do mercado de níquel aparentemente já teve problemas. Um dos quatro maiores bancos chineses, o Chinese Construction Bank Corp, deixou de pagar uma chamada de margem na segunda por conta do salto de preço – e isso, provavelmente, se deu por conta de um cliente do banco que deixou de realizar o pagamento. O CCBC ganhou mais tempo para fazer o pagamento, mas o medo é que isso se torne uma bola de neve no mercado.

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