Recursos financeiros limitados e dificuldades para atrair talentos justificam busca por serviço

Vinicius Roveda:
Divulgação
Vinicius Roveda: "Contratar alguém para uma startup em início de carreira é bastante difícil"

Estima-se que no Brasil existam por volta de 6 mil startups em áreas como tecnologia, serviços e varejo, segundo a Associação Brasileira de Startups (ABStartups). Com uma expansão estimada em 10% ao ano, essas jovens empresas se tornaram um potencial público consumidor de serviços de recrutamento e recursos humanos.

Para atender esse mercado, startups estão sendo criadas na área de recursos humanos para atender outras startups a partir de um grande diferencial: experiência prática nesse modelo de negócio enxuto e dinâmico.

A Startup House, criada em setembro do ano passado no setor de desenvolvimento de novos negócios, lança em maio um novo braço focado apenas em serviços de recrutamento e seleção para startups, a Sthart. De acordo com o empresário Ken Julio Komiya, 26 anos, a ideia da nova empresa se deve à necessidade que as startups têm de recrutar talentos com perfil adequado para esse modelo de negócio, principalmente nas áreas de design, tecnologia da informação, marketing digital e negócios.

“Além de as grandes consultorias serem caras, elas não entendem como funciona uma startup. O tiro tem de ser muito mais certeiro porque ela tem pouco recurso financeiro para selecionar e treinar os profissionais”, afirma Komiya, que já possui 12 clientes.

Também com atuação na recursos humanos, a Survey Monkey tem operações no Brasil há dois anos para atender startups e outras empresas num ramo bem específico: pesquisa de clima organizacional e de satisfação com candidatos a vagas de emprego [também há pesquisas em outros ramos, como marketing].

De acordo com Rodolfo Ohl, 35 anos, gerente-geral de operações brasileiras, a empresa cresceu 65% no Brasil no ano passado ancorada também em startups com investidores estrangeiros. “É importante que a startup, que já tem poucos funcionários, saiba se seus profissionais estão satisfeitos”, afirma ele.

Com experiência de dez anos em grandes empresas de recrutamento e seleção, empresário Luiz Pagnez, 42 anos, lançou em agosto do ano passado a startup Recrutando.com, especializada em recrutamento e seleção para a área de TI.

Com “poucos clientes” [total não revelado pelo empresário], a startup atende outras quatro jovens empresas, e vê nesse segmento um canal de crescimento acelerado nos próximos anos. “Oferecemos um serviço personalizado para startups porque somos uma. Vendemos o almoço para pagar o jantar”, brinca Pagnez.

Grandes consultorias
O mercado de recursos humanos para startups está tão aquecido que até mesmo as grandes empresas reconhecem a importância desses clientes. A multinacional de recrutamento Michael Page, por exemplo, estima crescimento entre 10% e 12% ao ano no número de startups atendidas.

“Recebemos muitos investidores que desejam contratar executivos para as startups. Como grande parte deles são estrangeiros, a carência está no conhecimento de legislação e dificuldades para contratação no Brasil”, destaca Lucas Toledo, gerente-executivo da área de tecnologia da Michael Page.

Para Toledo, a grande dificuldade do recrutamento para startups está em encontrar bons profissionais que entendam suas limitações estruturais e financeiras. “Deixamos muito claro para o candidato que ele não vai ganhar tão bem quanto em uma grande companhia, mas tem as vantagens de crescer junto com a startup e receber uma boa remuneração variável.”

Ohl:
Divulgação
Ohl: "É importante que a startup, que já tem poucos funcionários, saiba se seus profissionais estão satisfeitos”

Na Mercer, consultoria internacional de RH, o número de startups no quadro de clientes cresceu 50% nos últimos três anos. E a tendência, segundo Marcelo Ferrari, consultor sênior de desenvolvimento de negócios da empresa, é de uma expansão ainda maior nos próximos anos.

De acordo com Ferrari, esse aumento se deve à maior quantidade de startups no Brasil e ao interesse de investidores estrangeiros nelas.

“Eles têm dificuldades não só para contratar profissionais, mas também para entender a legislação brasileira, lidar com as burocracias e, principalmente, definir salários. Eles se surpreendem com os valores pagos aos executivos no Brasil."

A Conta Azul, plataforma online que desenvolve sistemas para micro e pequenas empresas, é uma das startups que contrata executivos com o auxílio de profissionais de recursos humanos.

De acordo com Vinicius Roveda, 31 anos, CEO da empresa, a exigência foi do investidor, que tem um profissional de RH para atender exclusivamente as startups que recebem aportes financeiros.

"Contratar alguém para uma startup em início de carreira é bastante difícil porque geralmente os profissionais preferem empresas grandes com nome no mercado", argumenta Roveda, que criou a startup há um ano e afirma já ter recebido três aportes: de investidor-anjo, investidor estrangeiro e fundo americano.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.