Inflação dos mais pobres, que ganham até R$ 900, acumula alta de 1,8% no ano, enquanto a da população com renda superior a R$ 9 mil fica em 3,2%

Brasil Econômico

Desaceleração dos preços dos alimentos influenciou crescimento mais baixo da inflação para os mais pobres
Tânia Rêgo/Arquivo/Agência Brasil
Desaceleração dos preços dos alimentos influenciou crescimento mais baixo da inflação para os mais pobres

A inflação para as famílias de baixa renda, que ganham até R$ 900, foi de 0,07%  em novembro, enquanto a de famílias com renda superior a R$ 9 mil ficou em 0,34% no mesmo período. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (12) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Leia também: Metade dos brasileiros está insatisfeita com o emprego atual, diz pesquisa

Com isso, a inflação dos mais pobres acumula uma alta de 1,8% no ano. Já a da classe com renda mais elevada fica em 3,2%. Para a técnica de planejamento e pesquisa do Ipea, Maria Andréia Parente Lameiras, a menor alta para a população situada na faixa de renda mais baixa decorre principalmente da desaceleração dos preços dos alimentos em consequência da safra recorde registrada pelo país ao longo do ano.

“De fato, a significativa desaceleração no preço dos alimentos ao longo do ano se constitui no principal foco de alívio inflacionário em 2017, especialmente para as classes de menor poder aquisitivo”, disse a especialista. "Os alimentos são o item com maior peso nos gastos totais das famílias mais pobres e a deflação dos alimentos contribuiu para diminuir em 0,16 ponto percentual a inflação dos mais pobres, ao passo que, para a classe mais alta, a ajuda foi de 0,05 ponto percentual", prosseguiu.

Leia também: Em 10 anos, 21,8% das empresas do País terão feito a digitalização na produção

Ainda de acordo com o levantamento Ipea, os transportes também influenciaram a redução, embora “em menor intensidade”, com a queda de 0,6% nas tarifas dos ônibus urbanos e de 1,6% na dos interestaduais, itens que pesam para a população mais pobre. Em contrapartida, nas classes mais ricas, para as quais o gasto com combustíveis é bem maior, a alta de 2,9% no preço da gasolina fez com que a contribuição do grupo transportes fosse positiva.

No que diz respeito às tarifas de energia elétrica e do gás de botijão tiveram alta de 4,2% e e de 1,6%  respectivamente, impactando as famílias de menor poder aquisitivo. Os dois reajustes impactaram em aumento de 0,29 ponto percentual para os mais pobres em novembro; mas de apenas 0,11 pontos percentuais na dos mais ricos.

Leia também: Acordo sobre planos econômicos das décadas de 80 e 90 será protocolado no STF

Foi constatada uma desaceleração da inflação de modo significativo em todas as faixas de renda nos últimos meses. O indicador apresenta dados desagregados por grupos, para cada faixa de renda: alimentação, habitação, artigos de residência, vestuário, transportes, saúde e cuidados pessoais, despesas pessoais, educação e comunicação. Ele é calculado com base nas variações de preços de bens e serviços pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.