Análise encontrou nitrato em contrafilé da Friboi e em picanhas da Frialto e da Montana; mortadelas Ceratti e Confiança também tiveram problemas

Brasil Econômico

Um teste realizado pela Proteste Associação de Consumidores encontrou irregularidades em carnes bovinas e mortadelas comercializadas em mercados no estado de São Paulo. O objetivo era avaliar se os produtos também apresentavam os problemas citados pela Polícia Federal na Operação Carne Fraca. Após a análise, cinco das 26 amostras de carnes bovinas, embutidos e cortes de frangos coletados pela associação contavam com um conservante proibido ou tinham sinais de deterioração.

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Entre os alimentos analisados pela Proteste , estão carnes bovinas (Friboi, Naturafrig, Asta, JJZ, Frialto, Montana, Better Beef e Marfrig), linguiças suínas (Seara, Sadia, Perdigão NaBrasa e Aurora), salsichas (Seara, Sadia, Aurora e Marba), mortadelas (Ceratti, Confiança, Sadilar e Aurora) e filés de frango (Sadia, Perdigão, Aurora, Seara, Alliz e Multifrango). A pesquisa encontrou a presença de nitrato, um aditivo proibido, em cortes de contrafilé Friboi e nas picanhas da Frialto e Montana .

Segundo a Proteste, uso de nitrato em carnes frescas e congeladas é proibido pela Anvisa e pelo Mapa
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Segundo a Proteste, uso de nitrato em carnes frescas e congeladas é proibido pela Anvisa e pelo Mapa

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O aditivo costuma ser utilizado pelas empresas para melhorar a cor das carnes, prevenir o crescimento microbiológico, além de atuar como um antioxidante, ou seja, ajuda a aumentar o tempo de conservação dos produtos. No entanto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Ministério de Agricultura , Pecuária e Abastecimento (Mapa) só autorizam seu uso em carnes processadas e embutidas e, ainda assim, dentro de um certo limite.

Em carnes frescas e congeladas, porém, sua utilização é proibida. "Essas carnes resfriadas trazem, portanto, um aditivo não autorizado pela Anvisa e o Mapa, e que pode estar sendo empregado pelas empresas Friboi JBS, Frialto e Montana para encobrir falhas no processamento do alimento ou alterar a qualidade do produto", diz a associação em comunicado.

A análise ainda constatou a presença acima do esperado de peróxidos em amostras de mortadela Ceratti e Confiança. De acordo com a associação de consumidores, estes são os primeiros compostos que se formam quando uma gordura se deteriora, ou seja, mostram que os produtos não estavam bem conservados e apresentavam algum tipo de deterioração.

Respostas das empresas

Em nota, a Friboi informa que suas carnes in natura são comercializadas livres de conservantes e que não utiliza nitrato em nenhum momento do processo. "A marca coloca-se à disposição para enviar a lista oficial de compras da unidade citada, bem como de todas as outras plantas que fabricam produtos in-natura, e, assim, comprovar que a substância não é adquirida por essas plantas".

A empresa afirma ainda que não foi encontrado nitrito na amostra avaliada, o que descredencia a própria análise da associação, já que, segundo a Friboi, o nitrato é transformado naturalmente em nitrito. "Além disso, mais uma vez a Proteste não informou o laboratório que realizou a análise e o laudo apresentado não atende ao padrão estabelecido pela norma técnica da ABNT ISO/IEC 17025/2005 para emissão de resultados", diz.

A empresa ainda esclarece que, diferentemente do divulgado pela associação, não foi alvo da Operação Carne Fraca e não teve nenhum produto ou funcionário citado na Operação.

A Marfrig , proprietária da marca Montana, afirmou, em nota, que conta com um rigoroso processo de garantia da qualidade e de segurança alimentar, mantendo a documentação pertinente aos testos realizados em amostras coletadas de cada lote. "O produto só é liberado para o mercado após a validação da área de garantia de qualidade. As unidades de produção passam ainda por auditorias periódicas realizadas por empresas independentes. Informamos que não fazemos uso de nitrato em carnes in natura, e que não tivemos acesso aos critérios utilizados pelo Instituto Proteste para análise das amostras de produtos", afirmou a empresa.

Em nota assinada pelo diretor presidente, Mauro Santos Pretti, a Ceratti esclareceu que "respeita todas as normas brasileiras e internacionais de produção e comercialização, priorizando sempre matérias-primas de alta qualidade; desconhece as condições de realização dos testes, bem como, de seleção das amostas; entrou em contato com a instituição [Proteste] e aguarda esclarecimentos sobre a análise".

A empresa também afirmou que "a formação dos peróxidos pode ser consequência de um processo de degradação natural e físico-química do produto. Para aprofundar a análise, é necessário verificar as condições apresentadas pelo produto no momento da coleta e do teste realizado, bem como, obter informações sobre a data de realização do mesmo".

Por fim, a Ceratti afirmou respeitar seus clientes, fornecedores e consumidores, e lembrou que trabalha há mais de 85 anos com produtos de alta qualidade e garante a integridade de todos os processos de manipulação e fabricação dos seus produtos. "Estamos à disposição para esclarecimentos adicionais que se fizerem necessários", completou a companhia.

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Até o fechamento desta matéria, a Frialto não se posicionou. O Brasil Econômico não conseguiu contato com a Confiança. A Proteste enviará os resultados ao Ministério da Agricultura solicitando uma fiscalização mais atenta, além da retirada do mercado das amostras que contenham peróxidos e nitrato. A Anvisa também receberá uma cópia destes resultados.

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