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Cenário econômico recessivo que aumenta o risco do crescimento nos índices de inadimplência

Taxa de juros ao consumidor chega a 121,96 ao ano
Thinkstock/Getty Images
Taxa de juros ao consumidor chega a 121,96 ao ano

As taxas de juros das operações de crédito subiram em todos os meses deste ano, com alta de 0,10% em maio, segundo levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

A taxa de juros média geral para pessoa física apresentou uma elevação de 0,10 ponto percentual no mês (2,48 pontos percentuais no ano) correspondente a uma elevação de 1,48% no mês (2,08% em 12 meses), passando de 6,77% em abril (119,48% ao ano) para 6,87% em maio (121,96% ao ano). No acumulado do ano, essa é a maior taxa de juros desde junho de 2010.

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Famílias paulistanas com dívidas crescem

Das seis linhas de crédito pesquisadas, todas tiveram suas taxas de juros elevadas no mês (juros do comércio, cartão de crédito rotativo, cheque especial, CDC-bancos-financiamento de veículos, empréstimo pessoal-bancos e empréstimo pessoal-financeiras).

Miguel José Ribeiro de Oliveira, coordenador da pesquisa e diretor executivo da Anefac, atribui as elevações constantes a uma série de fatores. "Cenário econômico que aumenta o risco do crescimento nos índices de inadimplência. Este cenário se baseia no fato de os índices de inflação mais elevados, aumento de impostos e juros maiores reduzirem a renda das famílias. Agregado ao baixo crescimento econômico, deve promover crescimento dos índices de desemprego. Tudo isto somado e o fato de que as expectativas para 2015 serem igualmente negativas quanto a todos estes fatores leva as instituições financeiras a aumentarem suas taxas de juros para compensar prováveis perdas com a elevação da inadimplência".

Outro ponto, segundo Oliveira, é a elevação da carga tributária para o sistema financeiro no pacote fiscal que elevou a CSLL (Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido) de 15% para 20%, elevando assim o custo das instituições financeiras que, consequentemente, repassam os valores para as taxas de juros das operações de crédito. 

Taxa de juros sofre impacto das altas da Selic

Oliveira analisa que a expectativa de novas elevações da taxa básica de juros (Selic) frente a um cenário de elevação nos índices de inflação adicionam pressão nas taxas praticadas pelo mercado.

Considerando todas as elevações da taxa básica de juros (Selic) promovidas pelo Banco Central desde março de 2013, tivemos desde então uma elevação da Selic de 6 pontos percentuais, passando de 7,25% ao ano em janeiro 2013 para 13,25% ao ano em maio de 2015.

"Neste período a taxa de juros média para pessoa física apresentou uma elevação de 33,99 pontos percentuais (elevação de 38,64%) de 87,97% ao ano em março de 2013 para 121,96% ao ano em maio/2015."

Nas operações de crédito para pessoa jurídica houve uma elevação de 16,52 pontos percentuais (elevação de 37,91%) de 43,58% ao ano em março/2013 para 60,10% ao ano em maio de 2015.

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