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Enquanto isso, no mesmo mês, 41% teve que usar as economias para conseguir pagar as contas de começo de ano. Entenda os principais motivos

Poupança ainda é a opção favorita de 60% dos brasileiros que têm alguma economia
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Poupança ainda é a opção favorita de 60% dos brasileiros que têm alguma economia


Terminar o mês com dinheiro sobrando ainda é uma tarefa difícil para a maioria dos brasileiros. Segundo dados apurados pelo Serviço de Proteçao ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), apenas 16% dos consumidores de 12 capitais brasileiras pesquisadas conseguiram aumentar os investimentos que tinham seja ele guardar dinheiro em casa, colocar na poupança ou investir em outras aplicações.

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Esse percentual é o menor já registrado pela pesquisa desde o começo da série histórica em dezembro de 2016. A preocupação é grande também porque, ainda que por motivos diferentes, a maioria dos brasileiros não tem conseguido aumentar sua reserva financeira independentemente da renda.

Considerando apenas os consumidores das classes A e B, pouco mais de um terço (36%) conseguiram guardar dinheiro no mês de fevereiro. Já entre as classes C, D e E, onde se encontra a maioria das pessoas, o percentual de poupadores é de apenas 11%. A economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti explica os motivos:

“Ainda sob os efeitos da crise econômica, poucos brasileiros estão conseguindo formar uma poupança para imprevistos ou realizar um sonho de consumo. Além das dificuldades impostas pela crise, guardar dinheiro é um hábito pouco frequente do brasileiro, de modo geral e, nem sempre está relacionado ao tamanho da renda. Brasileiros que ganham menos têm menos margem para gerir o orçamento, mas pessoas com rendimentos altos, que não exercem um controle efetivo de seus gastos, também podem terminar o mês sem dinheiro”, afirmou.

As pessoas também foram questionadas sobre os motivos pelos quais não conseguiram ou não quiseram guardar dinheiro. 42% disseram que tinham uma renda baixa demais para fazer qualquer economia, 20% afirmaram ter enfrentado imprevistos que impactaram o orçamento e 18% afirmara que não tinham renda nenhuma no momento. Já aqueles que admitiram ter perdido o controle do orçamento com gastos excessivos totalizaram 11% da amostra.

Sobre isso, Marcela Kawauti afirmou que é um erro pensar na reserva financeira apenas como uma sobre do orçamento. Ela explica que as tentações de consumo são muito grandes e que se não houver determinação, dificilmente sobrará dinheiro. "A dica é separar o dinheiro assim que o salário cair na conta, fazendo disso um compromisso mensal", recomendou. De forma geral, apenas um terço dos brasileiros têm o hábito de poupar e somente 10% destes estipulam o valor a ser poupado.

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Colocar na poupança? Pelo contrário!

Além de registrar o menor índice de poupadores desde o começo da medição, a pesquisa de fevereiro também registrou um percentual elevado de pessoas que tiveram que gastar parcial ou integralmente suas economias. O índice daqueles que não conseguiram fechar as contas apenas com a renda daquele mês chegou a 41%.

Para 13% dessas pessoas, as economias foram gastas com imprevistos. Outros 10% aproveitaram para pagar alguma dívida e 8% fizeram saques para comprar algo desejado. Novamente considerando apenas pessoas das classes C, D e E, 47% sacaram parte ou todo o seu dinheiro guardado.

E considerando essa possibilidade, a maioria dos brasileiros prefere manter seus investimentos em lugares de alta liquidez, ou seja, fáceis de sacar diante de qualquer imprevisto. A caderneta de poupança foi a opção citada por 60% dos que afirmaram ter algum valor guardado, mas somam-se a eles ainda os 16% que mantém suas economias na própria conta corrente e os 22% que guardam dinheiro dentro da própria casa.

Opções mais rebuscadas como fundos de investimento (8%), previdência privada (7%), CDBs (Certificado de Depósito Bancários; 6%) e mesmo o Tesouro Direto (4%) foram muito pouco citadas, ficando a frente apenas de compra e vende de ações na bolsa citada por apenas 2% dos entrevistados.

Poupar pra quê?

Além de diagnosticar que o valor médio economizado em fevereiro por aqueles que conseguiram foi de R$ 498,81, a pesquisa ainda se interessou pela motivação das pessoas em guardar dinheiro.

Nesse sentido, a proteção contra imprevistos, como doença e morte na família, foi o principal motivo citado por 47% dos entrevistados. O brasileiro também poupa para garantir um futuro melhor para a família (30%) e para a prevenção contra um eventual desemprego (30%). Há também aqueles que afirmaram poupar para conseguir viajar (23%) e aqueles que pensam em guardar dinheiro para complementar a aposentadoria (18%).

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Outros motivos citados para fazer uma poupança de dinheiro foram reforma da casa (16%), compra de móveis e eletrodomésticos (14%), estudos (14%) e aquisição da casa própria (13%).

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