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Christiano Diehl Neto / Agência O Globo
Retomada da indústria automotiva tem ajudado na recuperação do setor após o período mais agudo da pandemia


A atividade industrial do Brasil segue esboçando uma lenta recuperação após o tombo severo causado pela pandemia de Covid-19 . Dados divulgados nesta quinta pelo IBGE mostram que o setor avançou 8% em julho, na comparação com junho. Foi o terceiro mês consecutivo de alta na comparação mensal, mas ainda longe de recuperar as perdas acumuladas na crise.


Na comparação com o mesmo período do ano passado, a indústria registrou queda de 3% , nono resultado negativo seguido nesse tipo de comparação.

Os números apontam para uma possível melhora no terceiro trimestre , caso as flexibilizações das medidas de isolamento sigam ocorrendo e não haja um novo ciclo de fechamento de indústria por conta da pandemia. O número surpreendeu o mercado, cuja projeção estimada era de 5,4%, segundo a Reuters.

Em julho, o setor industrial seguiu beneficiado pelas medidas de flexibilização e protocolos de segurança, criados em diversos estados, além da recomposiçao dos estoques das empresas que estavam paralisadas.

Houve crescimento em 25 dos 26 setores , com a reativação das plantas industriais paralisadas, na comparação mensal. É o maior espalhamento da série histórica, ou seja, pela primeira vez, 25 setores apresentaram taxa positiva desde 2002.

O setor ainda encontra-se 6% abaixo do patamar de fevereiro, período anterior às medidas de restrição e isolamento. "Observa-se uma volta à produção desde maio, e é um crescimento importante, mas que ainda não recupera as perdas do período mais forte de isolamento", ressalta Andre Macedo, gerente da pesquisa do IBGE.

O segmento de veículos automotores, reboques e carrocerias avançou 43,4% no mês , influenciado principalmente pela produção de caminhões e carros. No entanto, ainda está 32% abaixo da produção registrada em fevereiro, no pré-pandemia. O mesmo cenário se reflete em outros ramos industriais.

"A indústria automotiva puxa diversos setores em conjunto, sendo o ponto principal de outras cadeias produtivas", lembra Macedo

Especialistas apontam que a indústria devera seguir o bom desempenho nos próximos mese s, principalmente com a prorrogação do auxílio emergencial até o fim do ano, capaz de aquecer uma demanda. A expectativa do mercado, segundo o Boletim Focus, elaborado pelo Banco Central, é que o setor registre uma queda 7,35% no ano.

A dúvida é como o setor irá avançar após recuperar as perdas da pandemia.A alta no desemprego, junto com a queda na renda disponível da economia, devem, ao longo do tempo, minar novos avanços da mesma magnitude.

Hoje o país tem 18 milhões de brasileiros que não estão procurando trabalho por conta da pandemia ou por falta de vagas onde mora.

Além disso, a indústria brasileira já vinha apresentando fragilidade antes da pandemia do novo coronavírus . Em 2019, sequer havia recuperado as perdas da crise no biênio 2015 e 2016, e retraiu 1,1%, segundo o IBGE.

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