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Empresa diz que medida custará cerca de R$ 5 bilhões e implicará na paralisação de operações, o que afetará produção da mineradora em até 10%

Diretor-presidente da Vale, Fabio Schvartsman, durante entrevista sobre barragem em Brumadinho
Tomaz Silva/Agência Brasil - 25.1.19
Diretor-presidente da Vale, Fabio Schvartsman, durante entrevista sobre barragem em Brumadinho

A Vale decidiu fechar todas as barragens da empresa construídas pelo método de alteamento amontante, assim como as de Mariana e de Brumadinho (MG) . A medida surge em reação aos rompimentos que provocaram tragédias em 2015 e no último dia 25. Somados, os desastres deixaram mais de 100 mortos.

O anúncio foi feito na noite desta terça-feira (29) pelo diretor-presidente da Vale , Fabio Schvartsman. O executivo explicou que a medida implicará na paralisação da produção de minério em todas as unidades da empresa próximas a essas barragens. 

"Tivemos a decisão de fazer, de uma vez por todas, o que é necessário para encerrar dúvidas. [...] Vamos eliminar todas as barragens amontantes, descomissionando todas elas, com efeito imediato. Para tanto, será necessário paralisar as operações de mineração em todos os sites que estão nas proximidades dessas barragens. Elas estão inativas, no entanto, há uma interferência entre a produção e as barragens. Então a única maneira de fazer o descomissionamento é fazendo a paralisação", disse Schvartsman.

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De acordo com o executivo, a decisão implicará na perda de produção de 40 milhões de toneladas de minério de ferro por ano (aproximadamente 10% da produção da empresa). A eliminação das barragens deve custar cerca de R$ 5 bilhões e levará de 1 a 3 anos para ser concluída. Segundo o executivo, a paralisação das operações enquanto as barragens são desativadas é necessária porque, se não, haveria "grande risco" de desmoronamentos.

A Vale já discutiu o plano de eliminar as barragens com o governador mineiro, Romeu Zema (Novo), e os ministros de Minas e Energia e do Meio Ambiente, mas deve ainda apresentar o projeto às autorides, em busca do licenciamento ambiental, nos próximos 45 dias.

Fabio Schvartsman disse que a decisão representa "esforço inédito de uma empresa de mineração no sentido de dar uma resposta cabal e à altura da tragédia" de  Brumadinho . "É um plano definitivo, para não deixar dúvida de que todo o sistema da Vale fará com que a segurança de todos venha acima de qualquer consideração", disse. 

A maior parte das barragens da Vale é de maciço, que, de acordo com o SEO da empresa, é um método que "jamais teve histórico de acidentes". Mas, até 2015, ainda havia 19 barragens da mineradora construídas com o método amontante.

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Schvartsman disse que nove destas já foram descomissionadas, mas ainda faltam dez – todas elas situadas no estado de Minas Gerais. "Nós temos laudos que dizem que todas as nossas estruturas estão em perfeita estabilidade. Resolvemos não apenas aceitar esses laudos", exaltou o executivo.

De acordo com o presidente da Vale, o "descomissionamento" das barragens significa devolver à natureza as áreas usadas para armazenar rejeitos da mineração. "Elas deixam de ser barragens. Ou são esvaziadas ou integradas ao meio ambiente", afirmou o executivo, segundo o qual não haverá demissões por conta da paralisação das operações, já que os cerca de 5 mil trabalhadores trabalhadores serão realocados para outras atividades da empresa.

Schvartsman lembrou que a decisão "obviamente tem impacto no mercado acionário da empresa" e disse que os acionistas serão ainda informados sobre os planos da companhia. A Vale teve queda acentuada na bolsa neste início de semana e perdeu, somente nessa segunda-feira (28), R$ 71 bilhões em valor de mercado.

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