Tamanho do texto

Dono do grupo Anjos do Brasil, Claudinei dos Anjos começou do zero, perdeu tudo em um incêndio e precisou negociar com fornecedores para se reerguer

Claudinei dos Anjos acredita que decisões do empreendedor devem ser tomadas em equipe
Divulgação
Claudinei dos Anjos acredita que decisões do empreendedor devem ser tomadas em equipe

A história de Claudinei dos Anjos se assemelha ao roteiro de um filme de guerra: o início cheio de empecilhos, a queda quase definitiva e a vitória conquistada após grande superação. Afinal, o empreendedor começou do zero, conseguiu erguer uma fábrica, viu todos os seus esforços se esvaírem em um incêndio - mas, foi capaz de se levantar. Hoje, o grupo Anjos do Brasil fatura em torno de R$ 34 milhões por ano.

+ Startup brasileira fatura R$ 1,4 milhão com Bitcoins

No cinema, a vida do empreendedor  daria uma boa trilogia. Da infância simples na cidade de Capitão Leônidas Marques, no Paraná, até a construção de um império de estofados e colchões, muitos percalços e decisões difíceis colocaram à prova sua força de vontade. 

Capítulo 1 - O ponto de partida

O primeiro filme voltaria ao ano de 1991 e teria como cenário principal uma pequena loja de estofados, recém-inaugurada pelo então empresário de primeira viagem. Na época, aos 20 anos de idade, ele trabalhava com apenas quatro funcionários e precisava fazer de tudo: era gerente, vendedor e transportador. Fora isso, ainda agregava as funções de verador e pai de família, "cargos" que assumiu aos 19 anos. 

"A gente não conseguia vender", conta o empresário sobre os primeiros meses, assumindo as dificuldades iniciais de seu negócio. Apesar disso, decidiu investir em seu sonho, mesmo recebendo ofertas mais confortáveis. Sua própria esposa, por exemplo, que havia herdado do pai uma loja de móveis já consolidada na cidade, convidou Dos Anjos para trabalhar na empresa. A oferta foi recusada pelo empreendedor, que preferiu seguir buscando seus objetivos em um galpão alugado. 

"Na época, acabou o dinheiro. Precisava comprar uma furadeira e não tinha crédito. Tive um carrinho, logo tive que vender e ia a pé para a empresa. Mas eu acreditava na indústria, sempre foquei nisso", diz, orgulhoso de sua persistência.

Aos poucos, os negócios começaram a engrenar. De um barracão que pagava para usar, Dos Anjos fez todo um parque fabril e começou a ganhar notoriedade. A loja da esposa, inclusive, foi comprada pelo grupo do empresário alguns anos depois. 

Capítulo 2 - A tragédia

Seguindo esta trama, tudo se encaminharia para um encerramento tranquilo, mas boas trilogias de guerra têm cenas de tensão extrema, daquelas que tiram o fôlego, certo? Pois na vida de Claudinei, a história do segundo filme apresentaria a principal delas. 

Com o negócio já estabelecido, em 1998, Dos Anjos viu tudo se perder em chamas. Literalmente. A fábrica de estofados sofreu um incêndio de grandes proporções e nada lá dentro foi salvo.

+ Startup vende seu carro usado de forma rápida e sem burocracia

Neste momento, o empresário pensou que talvez fosse a hora de desistir. Por sorte, foi só um pensamento. "Quando ocorreu o incêndio, eu tinha alguns caminhões. Pensei em vender, pagar todas as contas e desistir. Mas, ao mesmo tempo, eu vi que tinha construído tudo aquilo", afirma. O próximo passo foi deixar de lamentar e procurar soluções.

A partir disso, Dos Anjos percebeu que poderia reconstruir sua fábrica se conseguisse a confiança de seus fornecedores. Afinal, ele tinha clientes, tinha pedidos em andamento e poderia conquistar a receita necessária caso tivesse condições de trabalhar. O empresário fez, então, uma "concordata branca", como ele mesmo define. Entrou em acordo com as companhias para que elas não deixassem de fornecer matéria-prima e solictou prazos para o pagamento das mesmas. Em dois anos, as dívidas foram zeradas. 

Capítulo 3 - A reconstrução

A terceira parte da trilogia mostraria a reestruturação da empresa. E foi exatamente assim que aconteceu com o empreendedor. Depois de zerar as dívidas, era necessário voltar a lucrar.

Além de começar a fazer linhas mais altas de sofás, Dos Anjos viu a possibilidade de aumentar os ganhos por meio da expansão dos negócios.

Com a criação da Anjos Colchões e da D Angelis Indústria Móbili, o empresário formou o grupo Anjos do Brasil, que hoje emprega mais de 700 funcionários diretos na produção de estofados e colchões. Além disso, desde 2007, a Anjos Colchões foi aberta para franquias, contando hoje com 48 unidades espalhadas pelo Brasil. 

Muito do sucesso do grupo, de acordo com o empresário, se deve ao fato de saber como iniciar cada projeto. "Você pode começar qualquer outra coisa, desde que seja pequeno. Começando pequeno você está propenso a errar menos. Tudo que a gente começou, a linha de estofados mais altos, tudo foi um início. Tem que ir formando, com as pessoas corretas e com planejamento. Tudo muito bem planejado e consciente. A empresa nunca pode nascer grande. Todas as vezes que iniciamos pequenos, nós acertamos", aconselha. 

Além disso, Dos Anjos também acredita ser muito importante estar disposto a ouvir e aceitar a opinião das outras pessoas: "Gosto sempre de tomar decisões em três. Eu sou um voto, se forem contrários, eu tenho que aceitar". 

+ Nutty Bavarian, a ideia americana com gostinho brasileiro

Longa, mas cheia de pontos altos e baixos, a trama do empreendedor seria vista pelos críticos como uma bela história de superação. Alguns gostariam mais e outros, menos, mas todos reconheceriam a atuação heroica do protagonista.