Patricia e as filhas Aline e Amanda vão viajar seguindo os protocolos de segurança
Arquivo pessoal
Patricia e as filhas Aline e Amanda vão viajar seguindo os protocolos de segurança


A procura por viagens para as festas de fim de ano e as férias em janeiro está em alta em todo o país após após a queda no mercado turístico no início da pandemia de Covid-19. De acordo com Magda Nassar, presidente da Associação Brasileira das Agências Viagens (Abav Nacional), o faturamento do setor de turismo  chegou a cair cerca de 97% com o início da crise sanitária, mas a expectativa é que as vendas melhorem nestas últimas semanas de 2020 - e cheguem a 50% do registrado no mesmo período do ano passado.


"Estamos animados com essa possível recuperação porque o crescimento com a chegada do Natal e do Ano-Novo é maior do que imaginávamos. Acreditamos que o mínimo de aumento seja de 50% , podendo chegar até 70% do que foi em 2019", afirma Magda.

A jornalista Amanda Cássia, 24, é uma das pessoas que vai ajudar a engrossar as estatísticas. Ela, a mãe, Patrícia Odete, e a irmã mais nova, Aline Cristine, vão sair de São Paulo e passar o réveillon em Copacabana. Mas tudo com muito cuidado e segurança por causa do novo coronavírus

"Todas moramos na mesma casa, trabalhamos em regime home office e só saimos se for necessário. E será a primeira viagem que vamos fazer no ano. Por isso, iremos de carro, ficaremos o máximo de tempo no hotel e só sairemos para Copacabana", diz. 

Aline, inclusive, teve que cancelar uma viagem para o Chile, que faria em agosto. "Sem condições de viajar para longe:  é arriscar demais ."

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Rovena Rosa/Agência Brasil
A expectativa do setor é o faturamento seja menor que o registrado no mesmo período em 2019




Segundo Jussara Kaffmann, responsável pela área de atendimento e operações da agência de turismo Soul Traveler, os índices de viagens nacionais e internacionais foram literalmente, invertidos. "Nosso carro-chefe sempre foi a procura internacional. As viagens para fora correspondiam a 80%; agora, não passam de 20%."

Jussara conta que a maior procura, atualmente, tem sido por destinos dentro do Brasil. "Temos dois fatores que implicam nisso: a alta do dólar e a falta de abertura de muitos países para turistas, incluindo os EUA e Argentina, os mais procurados. Por aqui, os brasileiros têm optado por viajar para o litoral. No Nordeste, por exemplo, há destinos que não têm mais vaga. Mas precisamos lembrar que o setor do turismo não está operando com a sua capacidade máxima", observa.

E conta que a Soul Traveler espera vender a metade do número de pacotes de viagens negociados no mesmo período de 2019. 

A pandemia em números

Segundo dados da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Brastoa), em outubro, 92% das operadoras realizaram vendas , o dobro das empresas que tiveram comercialização em abril, que se consolidou como o pior mês em vendas, de 2020. Apesar de estar bastante aquém de 2019, confirma o crescimento paulatino e constante. Tanto que, para 90% das operadoras, outubro foi melhor ou similar a setembro.

Quando o assunto é volume de vendas, 18% das operadoras apontaram ter tido um faturamento equivalente a 50 a 100% se comparado a outubro de 2019 e 4% já tiveram um faturamento maior que no mesmo período do ano anterior (em setembro eram 2%). O número de empresas cujo faturamento ainda é 90% menor do que em 2019 está em 35% (em abril, esse quesito era de 80%), mesmo similar ao das empresas que faturaram entre 11 e 50%, no mesmo período.

Maior antecedência

A tendência de aquisição de viagens com maior antecedência permaneceu no mês de outubro. Não há clareza dos fatores que estão por detrás desse comportamento do brasileiro, mas especula-se que pode estar atrelado à oferta limitada de serviços e preços altos no curto prazo, expectativa de estabilidade da crise, surgimento da vacina, entre outros fatores.

E 76% das operadoras disseram ter comercializado viagens cujos embarques se concentram no primeiro semestre de 2021, seguidas de roteiros que se realizarão em dezembro (63%), consolidando o Natal e o Réveillon entre os principais produtos do setor, mostrando que as alterações no calendário de férias parecem não ter comprometido as viagens da alta estação. Os embarques para o segundo semestre de 2021 fizeram parte das vendas de 45% das operadoras.

Destinos preferidos

De acordo com dados da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), o destino vendido com mais frequência foi o Nordeste, com embarques comercializados por 83% das operadoras. Em seguida, vieram Sudeste (80%), Europa (75%), Sul (74%), Centro-Oeste (70%), Norte (62%), América Central/Caribe (62%), América do Sul (55%), América do Norte (48%), Ásia (48%), Oceania (48%) e África (24%).

Os destinos mais procurados no Nordeste são Salvador e Porto de Galinhas, enquanto no Sudeste figuram Angra dos Reis e interior de São Paulo. No exterior, os embarques mais vendidos são para Portugal, Itália, Cancún, Punta Cana, Orlando, Miami,  Maldivas, Argentina e Peru.

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