Brasil Econômico

Recebo diariamente uma série de questionamentos em relação à nossa economia. Uma questão recorrente é: por qual ou quais razões não crescemos mais, já que aprovamos a reforma da previdência, a reforma trabalhista foi concluída há pouco tempo, a própria lei da liberdade econômica já é uma realidade. E, mesmo assim, o Brasil continua a patinar com um crescimento de no máximo 0,9% esse ano e 1,6% ano que vem. Afinal, o que ocorre?

Evidente que sair de uma depressão onde o PIB per capita caiu quase 9% e rebalancear a economia mais voltada para o setor privado e menos inclinada ao intervencionismo estatal, combinado com empréstimos subsidiados, não ocorre da noite para o dia e esse é um fator que afeta fortemente nossa economia.

A Reforma da Previdência, por certo, vai tirar uma espada de Dâmocles momentaneamente de cima da cabeça da dívida pública, possibilitando entrarmos em um ciclo virtuoso e não explosivo da mesma.

Mas há de se destacar também que a Reforma Tributária e Administrativa, bem como a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do Pacto Federativo não são assuntos simples de se resolver no Congresso Nacional com tantos interesses distintos.

Já a privatização de empresas estatais como os Correios e a Eletrobrás nem ajudam e nem atrapalham nossa economia tampouco as expectativas dos agentes econômicos. Bom mesmo seria que estatais como a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e a Petrobras integrassem o pacote de privatizações. Mas, ao menos por enquanto, isso não deve ocorrer e provavelmente não avançará no atual governo.

De bom teremos as privatizações mencionadas e talvez a aprovação da autonomia do Banco Central. Mesmo assim, o problema maior da economia brasileira não é esse. O Brasil enfrenta agora duas agendas distintas onde o Executivo precisa urgentemente definir prioridades: se por um lado, temos a Agenda Guedes (PEC das reformas Administrativa, Tributária, Pacto Federativo e etc), por outro lado temos a Agenda Bolsonaro que busca a PEC anticrime, a mudança na legislação de trânsito e a possibilidade de armamento da população. Sem juízo de valor quanto a essas propostas. Pelo menos, não neste post. Mas em 2020 teremos eleições municipais e se o governo não definir sua agenda prioritária imediatamente, após maio de 2020, o País simplesmente vai parar por conta da agenda eleitoral. A briga vai ser feia, ou boa para quem gosta de brigar.

Também é chegada a hora de talvez assumirmos alguns erros do próprio governo que, legitimamente ou não, já cuspiu fogo contra o cacique Raoni, a líder alemã Angela Merkel, o presidente francês Emmanuel Macron e grande parte da imprensa, além de abandonar o ministro Paulo Guedes e o Congresso Nacional à própria sorte (sem qualquer sinal de articulação política aparente que seja), e que agora se vê rusgas do mais baixo nível entre o presidente e sua família e o PSL. Diante desse contexto, aprovar a Reforma da Previdência já não é nem de longe a garantia de um crescimento sustentável.

O tempo urge e, sinceramente, corremos o risco de deixarmos para 2021 discussões de reformas importantíssimas, justamente quando a lua de mel entre a população, o Congresso e o Executivo poderá ter se esgotado. Que escolhamos nossas prioridades agora, antes que seja tarde demais para a economia brasileira. Ou teremos de nos contentar com uma média de crescimento do governo Bolsonaro de no máximo 1.5% ao ano.

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