Copa de 2026 precisa mostrar que sustentabilidade é mais do que um discurso de marketing
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Copa de 2026 precisa mostrar que sustentabilidade é mais do que um discurso de marketing

O maior campeonato de futebol do planeta neste ano encara um adversário que não está dentro de campo: a necessidade de demonstrar que sustentabilidade é mais do que um discurso de marketing. 

Depois das críticas à suposta neutralidade climática da Copa do Catar, em 2022, o torneio organizado por Estados Unidos, Canadá e México chega cercado por novos questionamentos sobre greenwashing e sportswashing, aquelas práticas que utilizam causas ambientais ou o próprio esporte para fortalecer reputações sem que exista uma transformação proporcional na realidade.

O debate é legítimo. Grandes eventos têm capacidade de atrair investimentos, acelerar obras de infraestrutura e colocar temas relevantes na agenda pública. Ao mesmo tempo, também podem se tornar vitrines para promessas que desaparecem assim que os holofotes se apagam.

Mais do que perguntar se a Copa será “a mais sustentável da história”, talvez seja hora de fazer uma pergunta mais importante: o que ficará para as pessoas e para o planeta quando o último jogo terminar?

O verdadeiro placar

Para Lídice Berman, líder do Movimento Reinventando Futuros e da LB Cultura Circular, a crise climática mudou definitivamente as regras do jogo. A discussão deixou de ser apenas sobre reduzir emissões de carbono ou compensar impactos ambientais. Pela primeira vez, um megaevento precisa adaptar sua própria operação a um planeta mais quente.

“A pergunta deixou de ser se os eventos parecem sustentáveis. A questão agora é saber se conseguem gerar um legado real e continuar sendo viáveis diante das mudanças climáticas”, afirma.

O exemplo mais evidente já apareceu dentro dos gramados. As pausas para hidratação dos atletas, muitas vezes criticadas por parte da torcida, deixaram de ser uma escolha dos organizadores e passaram a representar uma necessidade diante das temperaturas extremas. A crise climática já influencia o próprio andamento das competições esportivas.

Além das pegadas de carbono

A sustentabilidade de um evento também não pode ser medida apenas pela pegada de carbono. Mobilidade, uso da água, infraestrutura, saúde pública, desenvolvimento econômico e inclusão social passaram a integrar a equação.

Segundo Lídice, o greenwashing acontece justamente quando a comunicação ambiental supera as mudanças efetivamente realizadas.

"Não significa que nenhuma ação positiva tenha sido feita. O problema surge quando o discurso apresenta uma transformação muito maior do que aquela que realmente aconteceu."

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Segundo ela, um evento verdadeiramente sustentável é aquele que continua produzindo benefícios muito depois do encerramento.

“Quando falamos em legado, não estamos falando apenas de estádios ou infraestrutura física. Significa deixar cidades mais preparadas, fortalecer economias locais, desenvolver fornecedores, criar oportunidades para pequenos negócios, melhorar a mobilidade e qualificar pessoas."

Essa mudança de perspectiva pode representar a maior transformação da Copa de 2026. Quando o sucesso deixar de ser avaliado apenas pelo espetáculo oferecido durante algumas semanas, passando a considerar os impactos positivos permanentes para os territórios e suas comunidades.


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