
O uso de canetas emagrecedoras explodiu no Brasil.
No mês passado, uma pesquisa feita pelo Instituto Locomotiva mostrou que 62% dos brasileiros afirmam conhecer alguém que fez, ou ainda faz, uso destes medicamentos injetáveis destinados ao tratamento de diabetes e obesidade. Em 1 a cada 3 domicílios (33%), os entrevistados relataram ter ao menos um morador que usou ou ainda usa os remédios.
Só no ano passado, a compra de produtos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro somou cerca de R$ 9 bilhões em importações. Entre agosto de 2024 e agosto de 2025, foram vendidas mais de 6,6 milhões de unidades desses medicamentos.
E, de que forma estas milhões de canetas estão sendo descartadas? Irregularmente, em sua maioria.
Canetas não devem ir ao lixo
Como qualquer medicamento, elas não podem ser jogadas em lixo comum, pois não devem ser manuseadas por profissionais de limpeza e muito menos ir para um aterro sanitário, pois têm alto potencial de contaminação ambiental.
A Novo Nordisk®, que fabrica diversos tipos de canetas, incluindo a famosa Ozempic, conta, desde 2022, com o programa Reciclaneta, que recolhe este material e dá um novo destino ao plástico utilizado. Atualmente são 73 pontos de coleta na cidade de São Paulo, região metropolitana e Rio de Janeiro. A empresa anunciou recentemente que está expandindo o programa, que faz parte das iniciativas para reduzir seu impacto ambiental.
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"Trata-se do primeiro e único programa estruturado de coleta e reciclagem de canetas no Brasil. O diferencial da ação é que a empresa não apenas recolhe os medicamentos, ela também proporciona uma destinação circular ao plástico para que ele seja reaproveitado em outros produtos", comenta Patricia Byington, head de sustentabilidade da Novo Nordisk®.
De acordo com Flavio Ribeiro, professor e consultor em economia circular, é importante lembrar que o Brasil conta com uma legislação para logística reversa de medicamentos e embalagens. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) determina que fabricantes recolham remédios de uso domiciliar vencidos ou em desuso, porém não há uma lei que obrigue a reciclagem destes produtos.
"O que acaba acontecendo é que estes produtos, em sua maioria, são incinerados no Brasil. As canetas possuem um material nobre (plástico e metal) que podem ser recuperados. O programa da Novo Nordisk® vai além da legislação e chega em um modelo mais moderno em que os resíduos podem voltar a ser matéria-prima para se tornar um novo produto", afirmou.
Como participar
O primeiro passo é retirar as agulhas das canetas, pois elas não podem ser reaproveitadas. A parte plástica que sobrou deve então ser levada em algum ponto de recolhimento - em geral, nas principais farmácias das redes Drogaria São Paulo, Pague Menos, Drogarias Pacheco (no Rio) e três Unidades Básicas de Saúde em Mauá, na Grande SP. O programa aceita exclusivamente canetas fabricadas pela Novo Nordisk®.
Saiba aqui os principais pontos de coleta do Reciclaneta.
Já a agulha usada deve ir a um coletor para perfurocortantes, que pode ser uma caixa específica também disponível em farmácias, hospitais ou Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
Lembre-se que o uso consciente de medicamentos também envolve responsabilidade do consumidor com seu descarte.