A sustentabilidade do salmão começa no solo, ou seja, na qualidade da soja que o alimenta
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A sustentabilidade do salmão começa no solo, ou seja, na qualidade da soja que o alimenta

A aquacultura de salmão, ou seja, a criação em tanques e ambientes controlados, é uma atividade que vem crescendo cada vez mais e que enfrenta desafios de ética e impacto ambiental.

A sustentabilidade do peixe, entretanto, não começa na água e sim no solo. Isso porque a dieta do salmão mudou radicalmente nas últimas décadas. Desde os anos 2000, ingredientes de soja passaram a substituir parte das proteínas de origem marinha nas rações utilizadas na aquacultura. O que começou como uma alternativa técnica tornou-se um pilar da produção global.

E é nesse ponto que a discussão volta ao campo: de onde vem essa soja e como ela é produzida?

Por muito tempo, a soja brasileira carregou uma reputação difícil no exterior, frequentemente associada ao desmatamento. Porém, as mudanças já estão acontecendo. 

Segundo Patricia Sugui, Head de ESG e Comunicação da CJ Selecta, a transformação veio acompanhada de uma revisão profunda da cadeia de fornecimento.

“Percebemos que a soja não seria sustentável se estivesse ligada ao desmatamento. A resposta foi mudar fornecedores, criar métricas e monitorar fazendas por satélite, além de trabalhar com certificações e parcerias com produtores comprometidos com essa agenda”, explica a executiva, que representou o Brasil no último North Atlantic Seafood Forum, um dos principais encontros globais da indústria de frutos do mar na Noruega.

Essa transição também foi impulsionada por pressão do próprio mercado internacional — especialmente da aquacultura europeia, onde a rastreabilidade e as metas climáticas são cada vez mais rigorosas.

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Nos últimos anos, o setor conseguiu reduzir emissões e melhorar a eficiência logística. Produzir soja mais próxima das fábricas, por exemplo, ajuda a diminuir a pegada de carbono associada ao transporte.

“Ainda existe uma percepção na Europa de que a pegada de carbono da soja brasileira é muito alta, mas nossa realidade é bem diferente. Hoje trabalhamos com índices menores do que muitos imaginam”, diz Sugui.

Isso tem a ver com práticas de agricultura regenerativa, que adotam sistemas que restauram a saúde do solo, aumentam a biodiversidade e podem até capturar carbono. Rotação de culturas, cobertura permanente do solo e substituição gradual de insumos químicos por soluções biológicas fazem parte dessa lógica.

Redução da pegada ambiental

Na cadeia produtiva do salmão, grande parte da pegada ambiental não está nas fazendas marinhas em si, mas no chamado escopo 3, que inclui fornecedores e insumos. A ração representa uma parcela significativa tanto do custo quanto do impacto ambiental da produção.

“Os produtores de salmão também precisam atingir suas metas de redução de emissões. Por isso, escolher ingredientes regenerativos pode fazer diferença dentro da própria estratégia climática da aquacultura”, observa Sugui.

No fim das contas, a pergunta que fica é menos sobre soja ou peixe e mais sobre o tipo de sistema alimentar que queremos construir nas próximas décadas. Até porque, no mundo interligado em que vivemos, o futuro do oceano também passa pela saúde do solo .

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