Shein
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A Shein estreou nesta terça-feira (1º), na data local, na Bolsa de Hong Kong, encerrando uma longa tentativa de chegar ao mercado acionário. As ações abriram a HK$ 48,56, mesmo valor definido na oferta pública inicial, sem alteração no primeiro negócio. No mercado cinza, porém, os papéis chegaram a cair mais de 10% antes da estreia oficial.

A empresa levantou US$ 1,74 bilhão (cerca de R$ 9 bilhões) com o IPO e foi avaliada em US$ 26,5 bilhões (aproximadamente R$ 137,3 bilhões). O valor é pouco mais de um quarto dos quase US$ 100 bilhões (R$ 518,1 bilhões) alcançados pela companhia em uma avaliação privada em 2022.

A estreia acontece depois de anos de tentativas frustradas de abrir capital nos Estados Unidos e no Reino Unido. Nesse período, a Shein passou a enfrentar maior pressão de reguladores, críticas sobre sua cadeia de fornecedores e mudanças nas regras de importação em mercados importantes.

De gigante avaliada em US$ 100 bilhões a U$ 66 bilhões

A diferença entre as avaliações mostra a mudança na percepção dos investidores sobre a empresa.

Em 2022, a Shein chegou a ser avaliada em quase US$ 100 bilhões. Em uma rodada de investimentos realizada em 2023, o valor caiu para cerca de US$ 66 bilhões, ou aproximadamente R$ 342 bilhões pela cotação usada nesta reportagem.

Agora, no IPO de Hong Kong, a avaliação ficou em US$ 26,5 bilhões, cerca de R$ 137,3 bilhões.

A companhia ainda cresce, mas enfrenta um cenário menos favorável. A retirada de isenções tarifárias para encomendas de baixo valor nos Estados Unidos e na Europa aumentou os custos de seu modelo de venda direta ao consumidor. A Reuters também aponta pressão sobre as margens, tarifas e despesas logísticas.

A Shein se tornou uma das maiores varejistas de moda do mundo ao combinar preços baixos, produção rápida e venda pela internet.

O modelo depende de uma cadeia de fornecedores capaz de colocar novos produtos na plataforma em ritmo acelerado. A empresa ampliou a   presença internacional e passou a disputar espaço com varejistas tradicionais e outras plataformas de comércio eletrônico.

Nos últimos anos, porém, reguladores passaram a examinar com mais atenção a companhia.

A empresa enfrenta investigações na Europa e nos Estados Unidos e já recebeu multas em países europeus. Também é alvo de questionamentos relacionados às condições de trabalho em sua cadeia de fornecedores.

Shein já enfrenta pressão sobre os resultado

As dificuldades também aparecem nas contas da empresa.

A Shein registrou prejuízo de US$ 99 milhões (cerca de R$ 513 milhões) no primeiro trimestre de 2026. A companhia atribuiu parte do resultado à retirada da isenção de tarifas de importação nos Estados Unidos e a uma despesa contábil de US$ 328 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 1,7 bilhão.

A empresa também espera pressão sobre as margens devido ao aumento das tarifas e dos custos de logística.

A concorrência cresceu ao mesmo tempo. Plataformas como Temu e varejistas tradicionais passaram a disputar consumidores que procuram preços baixos e lançamentos frequentes.

A companhia pretende usar os recursos captados para ampliar investimentos em tecnologia, fortalecer a marca e expandir a operação internacional.

A empresa também vem aumentando o peso de seu marketplace, permitindo que vendedores externos ofereçam produtos na plataforma.

A estratégia busca reduzir a dependência do modelo original da Shein, baseado principalmente na venda de produtos próprios diretamente ao consumidor.

Do total levantado no IPO, cerca de US$ 1,74 bilhão (R$ 9 bilhões) entrou no caixa da companhia. Parte dos recursos também será utilizada para reorganizar a estrutura acionária. A Reuters informou que até US$ 3,5 bilhões (R$ 18,1 bilhões) poderão ser destinados a acionistas preferenciais anteriores.

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