Porto de Santos
Divulgação/ SPA
Porto de Santos

O nevoeiro que atingiu a Baixada Santista e provocou o fechamento do canal de navegação do Porto de Santos causou um prejuízo estimado em US$ 800 mil, o equivalente a pouco mais de R$ 4,1 milhões, para a cadeia logística. Ao todo, 14 navios tiveram as operações afetadas durante as interrupções, que aconteceram entre os dias 1º e 3 de julho.

Considerado o maior porto da América Latina, o de Santos é responsável por grande parte de exportações e importações do País. Por isso, qualquer paralisação na navegação poderia causar atrasos na movimentação de cargas e aumentar os custos das operações.

A estimativa do prejuízo foi divulgada pelo diretor-executivo do Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar-SP), José Roque para A Tribuna de Santos. Segundo ele, o canal permaneceu fechado por cerca de 20 horas e 25 minutos devido à baixa visibilidade.

As interrupções foram determinadas pela Capitania dos Portos de São Paulo, já que, em alguns momentos, a visão ficou abaixo de 500 metros, limite considerado seguro para a navegação.

Apesar de muita gente usar os termos como sinônimos, neblina e nevoeiro não são a mesma coisa. A diferença está na visibilidade: quando é possível enxergar entre 1 e 5 quilômetros, o fenômeno é chamado de neblina. Já quando a visibilidade cai para menos de 1 quilômetro, ele passa a ser classificado como nevoeiro. No caso de Santos, a visibilidade inferior a 500 metros exigiu a suspensão das operações por questões de segurança.

Na quarta-feira (2), o canal ficou fechado das 7h05 às 8h35 e voltou a ser interrompido entre 9h45 às 12h10. Na quinta-feira (3) e sexta-feira (4), a paralisação ocorreu das 3h50 às 14h e, depois, das 18h20 à 0h40.

Segundo a Autoridade Portuária de Santos (APS) e a Praticagem, 14 embarcações foram afetadas pelo bloqueio. Seis navios aguardavam para deixar o porto e outros oito esperavam autorização para poder entra r. As atividades só foram retomadas quando as condições melhoraram.

José Roque explicou para o jornal A Tribuna, que o cálculo do prejuízo considera o tipo de embarcação, o valor da diária de operação de cada navio e o tempo em que ele permaneceu parado. A estimativa inclui navios de granel sólido, granel líquido e contêineres, além dos que aguardavam para atracar e daqueles que não conseguiram deixar o porto durante as interrupções.

Mudanças climáticas podem tornar casos mais frequentes

Além dos prejuízos registrados aquela semana, situações como essa podem acontecer com mais frequência nos próximos anos.

O professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e presidente do Grupo de Especialistas em Cultura Oceânica da Unesco, Ronaldo Christofoletti, afirma que as mudanças climáticas tendem a intensificar eventos extremos, incluindo a formação de nevoeiros, de acordo com a reportagem do A Tribuna. 

Segundo ele, isso ocorre por causa da diferença de temperatura entre a água do mar e a atmosfera. Com os oceanos cada vez mais quentes, as condições para esse tipo de ocorrência também aumentam.

Dados do o bservatório europeu Copernicus mostram que, no fim de junho, a temperatura média da s uperfície dos oceanos chegou a 20,86°C, o maior já registrado para esse período do ano. O índice superou os recordes registrados em 2023 e 2024.

Christofoletti também destaca que a Baixada Santista está localizada em uma região de transição entre o Sul e o Nordeste do país, característica que favorece a formação de nevoeiros e pode contribuir para que esse fenômeno seja ainda mais frequente.

Tecnologia pode ajudar 

Para diminuir os impactos causados por situações como essa, a Autoridade Portuária de Santos aposta na implantação do VTMIS, sistema eletrônico de monitoramento da circulação aquaviário em tempo real.

A ferramenta contará com estações meteorológicas, sensores e um visibilímetro, equipamento capaz de medir exatamente a visibilidade no canal. A expectativa é que o sistema ajude a prever melhor as condições ambientais, permitindo o planejamento antecipado das manobras, reduzindo o tempo de interrupção e aumentando a segurança das operações.

Previsão ainda tem limitações

Em nota enviada para A Tribuna, a Praticagem de São Paulo informou que, com a tecnologia atual, ainda não é possível prever com exatamente quando, onde e por quanto tempo um nevoeiro vai ocorrer.

A entidade afirma que a precisão é semelhante à das previsões meteorológicas. Mesmo assim, acompanha a tecnologia e investe em equipamentos, como estações meteorológicas e visibilímetros, além de manter parcerias com instituições acadêmicas para ampliar a segurança da navegação e reduzir os impactos causados por essa situação.

Com a expectativa de que eventos como esse se tornem mais frequentes, a aposta é em novas tecnologias para minimizar os impactos nas operações portuárias. O objetivo é reduzir o tempo de paralisação sem deixar de lado a segurança da navegação.

*Estagiária sob supervisão

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