Dario Durigan. Ministro da Fazenda
Washington Costa/MF
Dario Durigan. Ministro da Fazenda

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, alertou nesta sexta-feira (12) sobre o avanço de projetos no Congresso Nacional que pode gerar um impacto bilionário em contas públicas.

Segundo ele, é importante que as discussões não sejam influenciadas pelo cenário eleitoral e que as medidas aprovadas respeitem a capacidade financeira do país.

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Durante entrevista ao Alô, Alô Brasil da Rádio Nacional, Durigan afirmou que deputados e senadores precisam considerar os efeitos das propostas antes de aprovarem novos gasto s ou ampliarem benefícios fiscais.

O compromisso neste momento é não deixar que o espírito eleitoral tome conta da agenda econômica nacional. A gente entende que os parlamentares querem responder às demandas de suas bases, mas as medidas precisam caber dentro do orçamento do país Dario Durigan, ministro da Fazenda


Nesta semana, o Senado deu andamento a projetos  classificados pela equipe econômica como "pautas-bomba". Entre eles está a renegociação das dívidas do setor rural, aprovada pelos senadores e que agora segue para análise da Câmara dos Deputados.

De acordo com cálculos realizados, nove propostas atualmente em tramitação podem gerar um impacto anual de aproximadamente R$ 111 bilhões.

Quais são as pautas que preocupam o governo

Segundo o Ministério da Fazenda, nove propostas em tramitação no Congresso podem gerar impacto de cerca de R$ 111 bilhões por ano nas contas públicas. Confira:

Renegociação das dívidas rurais
Aprovada pelo Senado esta semana, a proposta segue para análise da Câmara dos Deputados. Impacto pode chegar a R$ 140 bilhões ao longo de 13 anos.

Ampliação do teto do Simples Nacional
O projeto aumenta o limite de faturamento das empresas enquadradas no regime tributário simplificado. Ainda está em trâmite no Congresso e pode representar uma renúncia de cerca de R$ 50 bilhões por ano.

PEC das Igrejas
A proposta amplia a imunidade tributária para templos religiosos. O texto já foi aprovado pela Câmara e aguarda análise do Senado.

Ampliação do Fundo de Participação dos Municípios (FPM)
A medida aumenta os repasses da União para os municípios e segue em discussão no Congresso.

Benefícios para entidades sem fins lucrativos
O projeto prevê vantagens tributárias para essas instituições e ainda está em tramitação.

Vinculação de recursos ao SUAS
A PEC destina mais recursos ao Sistema Único de Assistência Social e pode ampliar as despesas públicas nos próximos anos.

Novo Programa Especial de Regularização Tributária (Pert)
A proposta cria um novo programa para parcelamento de débitos tributários.

Pisos salariais para categorias profissionais
Entre os projetos em discussão está o piso nacional para médicos e cirurgiões-dentistas, que pode elevar os gastos públicos.

Aposentadoria diferenciada para agentes de saúde e de combate às endemias
A proposta altera as regras previdenciárias para essas categorias e também está em tramitação.

Peso nas contas públicas

Para Durigan, o valor chama atenção pelo peso que teria nas contas públicas.

Se você somar todo o investimento feito pelo governo federal, seriam necessários mais de dois anos para chegar a esse valor. Não dá para criar despesas ou abrir mão de receitas sem uma fonte de recursos e sem respeitar as regras fiscais Dario Durigan


Renegociação das dívidas rurais

Ao comentar a proposta voltada ao setor do agro, o ministro afirmou que produtores que enfrentam dificuldades devem receber apoio, mas destacou que a medida precisa ser analisada com cautela para evitar efeitos negativos no mercado de crédito.


Segundo ele, os bancos não têm a obrigação de oferecer financiamentos com juros limitados e uma renegociação ampla pode dificultar ainda mais o acesso ao crédito no futuro.

Durigan também defendeu que o Congresso avalie o impacto financeiro de cada proposta antes da aprovação.

O Congresso é soberano, mas toda medida precisa considerar os efeitos que vai gerar para o país Dario Durigan

O ministro diz ainda que mantém diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União) e outros parlamentares. Segundo ele, os projetos ainda estão sendo discutidos e pode sofrer alterações ao longo da tramitação.


*Estagiária sob supervisão

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