
O Pix esteve entre os assuntos mais comentados da quinta-feira (4) após o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) comparar o sistema brasileiro ao Zelle, ferramenta utilizada nos Estados Unidos.
A fala ocorreu em meio à investigação comercial aberta pelo governo americano, que incluiu o Pix entre os pontos analisados e pode resultar na aplicação de tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros.
"Os EUA têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como o Zelle. O Pix dos EUA é o Zelle. Então dá para ir para a mesa de negociação com os americanos com bons argumentos", afirmou Eduardo durante entrevista à rádio TMC, na quarta-feira (3). Eduardo Bolsonaro, ex-deputado (PL)
A declaração repercutiu nas redes sociais e levantou questionamentos sobre as semelhanças e diferenças entre os dois sistemas de pagamento. Após a repercussão, Eduardo afirmou que não sugeriu a substituição da ferramenta e voltou a defender que o Pix teria sido criado durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A informação, porém, não procede. O sistema de pagamentos instantâneos foi desenvolvido pelo Banco Central do Brasil a partir de estudos iniciados em 2016. A estruturação começou em 2018 e o lançamento oficial ocorreu em novembro de 2020.
Entenda as diferenças:
Origem
- O Pix foi criado e é operado pelo Banco Central do Brasil;
- O Zelle pertence à iniciativa privada e é administrado pela Early Warning Services, empresa controlada por grandes bancos americanos.
Disponibilidade
- O Pix está disponível em praticamente todos os bancos, fintechs e instituições autorizadas pelo Banco Central;
- O Zelle depende da adesão das instituições financeiras participantes e está disponível em mais de 2.400 aplicativos de bancos e cooperativas de crédito nos Estados Unidos.
Forma de identificação
- O Pix utiliza chaves como CPF, telefone, e-mail ou chave aleatória;
- O Zelle utiliza número de telefone ou endereço de e-mail.
Uso no dia a dia
- O Pix pode ser utilizado para transferências, pagamentos em estabelecimentos comerciais, contratação de serviços, recolhimento de tributos e operações entre empresas;
- O Zelle é voltado principalmente para transferências entre pessoas físicas e pequenos negócios.
Custos
- O Pix é gratuito para pessoas físicas e costuma ter tarifas reduzidas para empresas;
- No Zelle, a cobrança depende das regras adotadas por cada banco ou cooperativa de crédito.
Velocidade das transferências
- O Pix realiza operações de forma instantânea;
- No Zelle, o valor pode levar alguns minutos para ficar disponível ao destinatário.
Integração internacional
- Atualmente, o Pix está limitado a operações nacionais, embora o Banco Central estude formas de permitir transferências internacionais;
- O Zelle também é voltado para transações realizadas apenas nos Estados Unidos.
Cancelamento e devolução
Segundo o site oficial do Zelle, um pagamento só pode ser cancelado caso o destinatário ainda não esteja cadastrado na plataforma.
Quando o usuário já possui cadastro, o dinheiro é enviado diretamente para a conta bancária e a operação não pode ser revertida.
No Brasil, o Pix conta com o Mecanismo Especial de Devolução ( MED), criado para auxiliar vítimas de golpes e fraudes. O Banco Central destaca, no entanto, que a ferramenta não garante a devolução dos valores.
Segundo a instituição, a recuperação do dinheiro depende da análise de cada caso e da existência de saldo na conta do recebedor ou de outros envolvidos na fraude.
Já nas situações em que a transferência é feita por engano, não existe uma regra específica do Banco Central ou do Conselho Monetário Nacional ( CMN) sobre a devolução. Ainda assim, a orientação é que o usuário entre em contato com a instituição financeira para tentar recuperar os recursos.
O Pix também possui uma funcionalidade que permite ao recebedor devolver valores enviados equivocadamente diretamente pelo aplicativo do banco. Outro diferencial é o funcionamento ininterrupto, com transferências disponíveis 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana e feriados.
*Estagiária sob supervisão.