
Após recomendar tarifa de 25% sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, o governo do presidente Donald Trump anunciou nesta quarta-feira (3) uma nova proposta que também atinge o Brasil. Desta vez, a medida prevê uma sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros vendidos ao mercado americano.
A nova proposta surgiu a partir de uma investigação separada da que levou à recomendação da tarifa de 25%. De acordo com o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos ( USTR), o Brasil está entre os países que não adotam medidas consideradas suficientes para impedir a entrada de produtos ligados ao trabalho forçado.
Além do Brasil, aparecem na lista países como: China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Austrália, Chile, Colômbia, Israel, Venezuela e Vietnã.
De acordo com o relatório, os 60 países investigados representam cerca de 99,4% das importações dos Estados Unidos e apresentam falhas, em diferentes níveis, no combate à comercialização de produtos ligados ao trabalho forçado.
"A falha de nossos parceiros comerciais mais importantes em combater a importação de bens produzidos com trabalho forçado é inaceitável. Isso cria uma dinâmica em que trabalhadores americanos são obrigados a competir globalmente em condições desiguais", afirmou o representante comercial Jamieson Greer, epresentante comercial dos Estados Unidos
Segundo o USTR, produtos feitos com trabalho forçado costumam ser vendidos por preços mais baixos, o que acaba gerando uma vantagem para empresas que utilizam esse tipo de prática.
Brasil fica em grupo com tarifa maior
Após a investigação, o USTR sugeriu uma tarifa de 10% para países que já possuem algum tipo de restrição à importação de produtos relacionados ao trabalho forçado ou que assumiram compromissos formais com os Estados Unidos para adotar essas medidas.
Nesse grupo estão países como: Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão e Equador, entre outros.
O Brasil ficou fora dessa categoria. Segundo o órgão americano, o país não possui mecanismos considerados suficientes para barrar esse tipo de produto e também não firmou acordos específicos com os Estados Unidos sobre o tema. Por isso, foi incluído no grupo que recebeu a proposta de tarifa de 12,5%.
Decisão ainda depende de Trump
A proposta ainda precisa passar por consulta pública antes de qualquer decisão. As contribuições podem ser enviadas até 6 de julho, e a audiência está prevista para ocorrer em 7 de julho, em Washington.
Depois disso, o presidente Donald Trump decidirá se a tarifa será mantida, alterada ou rejeitada.
O governo americano ainda não informou se a tarifa de 12,5% será somada à sobretaxa de 25% anunciada anteriormente. Se as duas propostas forem aprovadas, alguns produtos brasileiros poderão ser taxados em mais de 37% ao entrar nos Estados Unidos.
Entre os setores que podem sentir os maiores impactos estão: máquinas e equipamentos, produtos químicos, plásticos, autopeças, calçados, têxteis e outros produtos industrializados.
Governo brasileiro rebate acusações
O governo brasileiro rejeitou as conclusões da investigação e afirmou que não há justificativa para possíveis sanções comerciai s. Em nota, o Planalto defendeu as políticas nacionais de combate ao trabalho escravo, destacou os mecanismos de fiscalização adotados pelo país e argumentou que a medida americana desconsidera avanços obtidos nos últimos anos nessa área.
Além disso, o Executivo afirmou que a investigação teria sido motivada por articulações da família Bolsonaro junto às autoridades americanas.
No comunicado, o governo criticou o que classificou como tentativas de interferência em assuntos internos do país e de prejuízo aos interesses econômicos brasileiros durante as negociações comerciais com os Estados Unidos.
"Essa investigação teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país, como feito na recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington. Essas investidas têm contado com o auxílio de falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais", destacou o comunicado. Planalto brasileiro
Tema gera disputa política
A nova investigação também provocou reações no cenário político brasileiro.

Trump faz post com foto ao lado de Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro, em rede social
O senador Flávio Bolsonaro ( PL-RJ) enviou uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pedindo que o governo americano não avance com novas tarifas sobre produtos brasileiros.
Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a atuação do parlamentar e afirmou que a taxação prejudicaria trabalhadores, empresários, o agronegócio e a economia brasileira.
*Estagiária sob supervisão