
A Petrobras pode estar prestes a anunciar um aumento no preço da gasolina que pode superar 15% nas refinarias. A pressão veio da disparada do petróleo no mercado internacional depois da guerra no Oriente Médio e do fechamento do estreito de Hormuz, rota usada por cerca de 20% do comércio mundial de petróleo.
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Hoje, a gasolina vendida no Brasil está abaixo do preço internacional. Segundo pessoas que participaram das discussões dentro da estatal, a diferença já gerou perdas de cerca de US$ 1 bilhão, o que ultrapassa R$ 5 bilhões, desde o início da guerra.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, confirmou nesta terça-feira (12) que o reajuste “vai ocorrer já já”. A empresa e o governo Lula tentam encontrar uma forma de reduzir o impacto para os consumidores.
Dados do governo indicam que, para cobrir totalmente a defasagem, o preço da gasolina precisaria subir ao menos R$ 1,70 por litro.
O aumento ainda não foi fechado. A Petrobras avalia segurar parte das perdas no caixa da companhia para evitar uma alta ainda maior nas bombas. Há também discussões sobre uma possível ajuda do governo com recursos do Orçamento.
A preocupação do Palácio do Planalto é política e econômica.
Uma alta forte da gasolina pode acelerar a inflação num momento em que o governo tenta conter o desgaste causado pelo aumento do custo de vida. O combustível foi o item que mais pressionou a inflação em abril, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O governo também teme efeitos sobre os eleitores às vésperas da corrida eleitoral de 2026.
Guerra no Irã travou plano do governo
A Petrobras esperava uma saída no Congresso para evitar o reajuste.

A aposta era aprovar um projeto que zeraria a cobrança de PIS e Cofins sobre a gasolina. Isso ajudaria a compensar a alta do petróleo sem jogar toda a conta para o consumidor.
Mas o avanço da proposta emperrou no Senado em meio ao desgaste político envolvendo a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Sem acordo político, a estatal passou a tratar o reajuste como inevitável.
A situação foi considerada tão delicada dentro da Petrobras que Magda Chambriard deixou de participar de uma reunião do conselho de administração para discutir o tema em Brasília.
Etanol virou peça-chave na decisão; diesel e gás já receberam ajuda do governo
A Petrobras também monitora o preço do etanol antes de definir o tamanho do reajuste.
Segundo Magda, o biocombustível ficou mais barato nas últimas semanas e passou a competir diretamente com a gasolina em vários estados.
Estamos tratando desse aumento de gasolina, mas sempre de olho no nosso mercado e na evolução do mercado do etanol Magda Chambriard
Se a gasolina subir demais, parte dos consumidores pode migrar para o etanol, reduzindo as vendas da estatal.
Nos últimos meses, o governo já adotou medidas para segurar outros combustíveis.
O diesel recebeu subsídios após a alta internacional do petróleo. O objetivo era evitar uma nova paralisação de caminhoneiros.
O querosene de aviação também entrou na lista. Segundo Magda, a Petrobras alongou prazos de pagamento para distribuidoras e companhias aéreas depois do reajuste do combustível.
O gás de cozinha também recebeu ajuda federal, mesmo sem aumento recente.
Agora, a pressão chegou à gasolina, o combustível mais sensível para o consumidor e para a inflação.