A cotação do petróleo voltou a subir nesta segunda-feira (20), em meio às dúvidas sobre a retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã . O movimento reflete o aumento das tensões geopolíticas e a proximidade do fim do cessar-fogo na região.
Por volta das 10h10, os contratos do barril do tipo Brent, referência internacional, com vencimento em junho, registraram alta de 5,20%, cotados a US$ 95,08 (cerca de R$ 475,40) . Já o West Texas Intermediate (WTI), referência no mercado americano, avançava 4,27%, a US$ 87,43 por barril (aproximadamente R$ 437,15).
O aumento, apesar da forte oscilação ao longo da manhã, reduz parte das perdas acumuladas na semana passada. No período, o Brent havia recuado 5,06%, enquanto o WTI registrou queda de 13,17%.
No conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, o cessar-fogo vigente expira nos próximos dias. Ainda não há sinais claros de uma nova rodada de negociações, especialmente após a apreensão de um navio de carga iraniano por forças americanas neste fim de semana.
A interdição ocorreu após a imposição de um bloqueio naval dos EUA, que restringe a saída de embarcações ligadas ao Irã no Golfo Pérsico . Na prática, a medida elevou o risco para a navegação comercial na região. Empresas de transporte marítimo e seguradoras já passaram a reavaliar operações, enquanto diversas embarcações aguardam instruções para cruzar a hidrovia.
Em resposta, o Irã voltou a fechar o Estreito de Ormuz , importante canal de escoamento do petróleo, por onde circula cerca de um quinto da produção mundial da commodity .
O petróleo também reagiu após declarações do Donald Trump , que alertou para a possibilidade de ampliar ataques à infraestrutura energética iraniana caso o bloqueio seja mantido.
Mercado de petróleo
Historicamente, o preço do petróleo era fortemente influenciado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) . No entanto, com o avanço da produção de óleo de xisto nos Estados Unidos, o mercado passou por mudanças significativas.
Embora a Opep ainda responda por cerca de 40% da produção global, a commodity é negociada em bolsas internacionais e sofre influência de fatores financeiros e geopolíticos, o que aumenta a volatilidade dos preços em curtos períodos.
Produção no Brasil
Dados da Agência de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA) indicam que o Brasil ocupa a sétima posição entre os maiores produtores de petróleo do mundo, com pequena diferença em relação ao Iraque.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, o país exportou, em 2025, cerca de 98,2 milhões de toneladas de petróleo, somando US$ 44,5 bilhões (aproximadamente R$ 222,5 bilhões) . No mesmo período, foram importadas 12,1 milhões de toneladas, totalizando US$ 6,6 bilhões (cerca de R$ 33 bilhões).
A commodity representou 12,8% das exportações brasileiras, consolidando-se como o principal produto da pauta externa.
A posição do Brasil entre os maiores produtores garante certa vantagem em cenários de alta nos preços internacionais. Ainda assim, oscilações no mercado global podem impactar indiretamente a economia, especialmente em momentos de tensão geopolítica.
*Estagiária sob supervisão