Com queda na demanda por causa da pandemia, empresa pediu recuperação judicial
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Com queda na demanda por causa da pandemia, empresa pediu recuperação judicial

O preço do petróleo caiu para abaixo de US$ 100 por barril ( cerca de R$ 500)  após um acordo entre Estados Unidos e Irã que prevê um  cessar-fogo de duas semanas e a reabertura do Estreito de Ormuz. Apesar do alívio momentâneo no mercado, os efeitos positivos não devem chegar tão cedo ao setor aéreo.

Combustível segue como principal pressão

O diretor-geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo ( IATA), Willie Walsh, afirmou que a trégua não será suficiente para conter a crise enfrentada pelas companhias aéreas. Segundo ele, o custo das passagens deve continuar subindo, impulsionado pelas instabilidades no mercado global de combustíveis.

Durante um evento em Singapura, Walsh destacou que, mesmo com a normalização do tráfego no Estreito de Ormuz, pode levar meses até que a oferta de querosene de aviação volte ao normal. Isso ocorre devido às limitações na capacidade de refino no Oriente Médio.

Passagens mais caras são inevitáveis

A alta acumulada do petróleo, que já supera 50% desde o início do conflito, vem pressionando diretamente os custos das companhias. “Há uma correlação quase direta entre o preço do petróleo e o valor das passagens”,  afirmou Walsh, ressaltando que os reajustes são inevitáveis.

A Delta Air Lines, por exemplo, projeta pagar cerca de US$ 4,30 por galão de combustível de aviação (aproximadamente R$ 21,50) no trimestre encerrado em junho, o que representa um aumento superior a US$ 2 bilhões (cerca de R$ 10 bilhões) em relação ao mesmo período do ano passado.

Apesar das dificuldades, Walsh evitou comparar o cenário atual com a COVID-19.


“Isso não é semelhante à Covid. Na pandemia, a capacidade foi reduzida em 95% com o fechamento das fronteiras. Não estamos nem perto disso”, afirmou.

Falta de estoque agrava cenário

Outro ponto de preocupação é a ausência de reservas estratégicas de querosene de aviação. Walsh destacou que, ao contrário do petróleo bruto, os países não costumam manter estoques significativos de combustível refinado.

“Temos estoques estratégicos de petróleo, mas não de querosene de aviação”, afirmou. Segundo ele, a segurança energética do setor depende cada vez mais da capacidade global de refino.

Ele alerta também que o problema vai além da aviação, já que o querosene representa apenas uma fração da produção das refinarias. “Não é só o combustível de aviação. Os outros 90% dos produtos refinados também são afetados”, concluiu.

*Estagiária sob supervisão

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