Donald Trump e Xi Jinping tiveram um encontro de cerca de 1h30 na Coreia do Sul
Reprodução/Bloomberg
Donald Trump e Xi Jinping tiveram um encontro de cerca de 1h30 na Coreia do Sul


Mesmo após um acordo firmado em outubro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping para suspender restrições ao fornecimento de terras-raras, a China continua limitando o acesso dos Estados Unidos a matérias-primas essenciais para a produção doméstica de ímãs permanentes e outros produtos estratégicos. A avaliação é de participantes do mercado, autoridades americanas e especialistas em comércio ouvidos sob condição de anonimato. A informação é da Bloomber News.

Segundo essas fontes, Pequim ampliou o envio de produtos acabados especialmente ímãs permanentes, mas mantém restrições sobre os insumos básicos, como óxidos e metais de terras-raras, o que impede a indústria americana de desenvolver sua própria cadeia produtiva. O fortalecimento dessa capacidade é considerado prioridade estratégica pelo governo dos EUA.

O impasse evidencia tensões persistentes entre Washington e Pequim nos meses seguintes ao acordo anunciado após encontro entre Trump e Xi, em 30 de outubro, na Coreia do Sul. Na ocasião, os EUA reduziram tarifas e a China se comprometeu a restabelecer o fornecimento de terras-raras. Trump chegou a afirmar que o entendimento equivaleria à “remoção de fato” das restrições chinesas.

Na prática, porém, a limitação do acesso às matérias-primas afeta os esforços dos EUA para construir uma indústria própria de processamento de terras-raras, usadas em produtos que vão de bens de consumo a sistemas militares. A China consolidou ao longo dos últimos anos um domínio quase monopolista desse mercado em escala global.

Dados oficiais chineses divulgados em 20 de dezembro mostram que as exportações de ímãs de terras-raras para os EUA caíram 11% em novembro em relação a outubro, embora permaneçam acima dos níveis registrados no período de restrições mais severas, em abril. No total, as exportações chinesas de elementos e produtos de terras-raras aumentaram 13% em novembro, segundo cálculos da Bloomberg com base em dados alfandegários.

O Ministério do Comércio da China afirmou que oscilações mensais no comércio são “normais” e reiterou o compromisso do país com a estabilidade das cadeias globais de suprimentos. Pequim também informou ter aprovado alguns pedidos de exportação, mas mantém restrições quando os destinatários estão ligados ao setor militar.

Representantes da indústria americana, no entanto, relatam dificuldades persistentes. “As empresas dos EUA não conseguem obter certos materiais da China, como óxidos ou metais de disprósio”, afirmou Scott Dunn, CEO da Noveon Magnetics, uma das poucas fabricantes de ímãs permanentes nos Estados Unidos. Segundo ele, fora da China não há oferta suficiente de minerais para sustentar uma produção relevante de ímãs em outros países.

Especialistas apontam que o aumento do fornecimento de ímãs prontos reduziu, por ora, o risco de paralisações em setores como o automotivo e o de tecnologia. Ainda assim, a dependência de produtos acabados mantém os EUA vulneráveis. “Como os EUA importam etapas mais avançadas da cadeia, o impacto imediato é menor, mas o problema estrutural permanece”, avalia Gracelin Baskaran, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), em Washington.

Enquanto a União Europeia informou recentemente que a China começou a conceder licenças de exportação com prazos mais longos para empresas europeias, os EUA não observaram movimento semelhante. Segundo fontes próximas às negociações, Washington e Pequim ainda não chegaram a um acordo sobre os detalhes das chamadas licenças gerais de exportação, o que mantém a incerteza no mercado.

Além disso, licenças temporárias de seis meses concedidas pela China no início do ano estão próximas do vencimento, o que pode gerar um acúmulo de pedidos de renovação por empresas americanas. Participantes do setor temem atrasos deliberados nas autorizações, prática já registrada em meses anteriores.

Para analistas, a ausência de um acordo definitivo reforça a cautela do setor. “Houve entendimentos temporários em diferentes rodadas de negociação, mas nenhum se mostrou duradouro até agora”, afirmou Baskaran. “Isso mantém um nível elevado de apreensão entre empresas e governos.”

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