O Comitê de Política Monetária do Banco Central
manteve, nesta quarta-feira (30), a taxa Selic
em 15% ao ano, interrompendo um ciclo de sete altas seguidas. No relatório, o COPOM apontou que o ''ambiente externo está mais adverso e incerto'' em razão da política econômica nos Estados Unidos
.
Ainda no cenário externo, o Banco Central justifica que, diante da volatilidade global e da tensão geopolítica, é necessário que países emergentes tenham cautela.
Já em relação ao ambiente interno, o COPOM aponta dois principais motivos para manter a taxa básica de juros em 15%: a inflação acima da meta e o crescimento moderado da atividade econômica.
Sobre a inflação, o COPOM aponta que as expectativas para este e o próximo ano permanecem acima da meta, que, em 2025, é de 3%. Além disso, os riscos de alta e baixa inflação seguem mais altos do que o habitual.
Impacto das tarifas
As tarifas de 50% dos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros, oficializadas por meio de uma ordem executiva nesta quarta-feira (30), foram mencionadas no relatório.
''O Comitê tem acompanhado, com particular atenção, os anúncios referentes à imposição pelos EUA de tarifas comerciais ao Brasil, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza.''
Diante deste cenário, o Banco Central decidiu adotar uma ''política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado.''
Tarifaço oficializado
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva em que oficializou o aumento das tarifas sobre produtos brasileiros para 50%. Na lista, contudo, havia uma série de exceções, ou seja, setores e produtos que escaparam do ''tarifaço''. 695 categorias não serão atingidas. Entre elas:
- castanha-do-brasil
- suco e polpa de laranja
- silício
- metais preciosos como ouro e prata
- aeronaves civis
- motores, peças e simuladores de voo.
- veículos de passageiros
- carvão
- gás natural
- petróleo e derivados
Histórico da Selic
Na última reunião do COPOM, em junho, a taxa Selic foi elevada para 15%, principalmente por causa da combinação da instabilidade externa com a pressão sobre a inflação doméstica. Este foi o maior patamar da taxa desde 2006, quando 15,25% ao ano.
A Selic estava, até a reunião desta quarta-feira (30), em um ciclo de alta, que começou em setembro de 2024. Foram sete elevações consecutivas.
A última vez que o COPOM reduziu a taxa ocorreu na reunião de maio de 2024, quando a Selic chegou a 10,50% ao ano, menor taxa desde fevereiro de 2022.