Master e BRB
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Master e BRB

Na última sexta-feira (28), o Conselho do  Banco de Brasília (BRB) aprovou a compra do Banco Master. No entanto, a aquisição ainda depende da análise do Banco Central do Brasil (BC) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que avaliarão se a operação pode resultar em concentração de mercado.

Embora a compra tenha sido aprovada internamente, a efetivação só poderá ocorrer após a aprovação do Cade. O BRB pretende adquirir 58% do capital total do Banco Master, o que gerou forte impacto no mercado: as ações do BRB dispararam mais de 80% na última segunda-feira (31).

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Em nota, o Banco Central afirmou que “quando protocolado o pedido pelo Banco Master S.A. relacionado à modificação do seu controle acionário, o Banco Central do Brasil vai avaliar o pedido tecnicamente quanto ao cumprimento dos requisitos aplicáveis a operações da espécie, previstos na Resolução CMN nº 4.970/21”.

Na tarde desta segunda-feira (31), o presidente do BC, Gabriel Galípolo, alterou sua agenda para se reunir com o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, na sede do BC, em Brasília. Inicialmente, Galípolo passaria o dia em São Paulo, mas decidiu se encontrar com Costa e os diretores de Fiscalização do BC, Ailton Aquino, e de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, Renato Gomes.

Além disso, na noite de domingo (30), Galípolo já havia se encontrado em São Paulo com André Esteves, presidente do BTG Pactual, banco que também tem interesse na aquisição do Banco Master. Ambos os encontros foram registrados na agenda oficial do presidente do BC.

Objetivo da compra

O BRB declarou, em comunicado nas redes sociais, que a iniciativa tem o objetivo de expandir a presença da instituição financeira em território nacional. O Banco Master, por sua vez, ressaltou em seu site oficial que a operação precisa ser aprovada pelos órgãos reguladores.

Em nota ao mercado, o BRB afirmou que a aquisição do Banco Master busca “sua estratégia de expansão e fortalecimento de sua posição no mercado financeiro”.

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A instituição também destacou que “o novo conglomerado prudencial visa fortalecer a atuação conjunta no mercado, pela oferta completa de produtos e serviços bancários, de seguridade, meios de pagamento e investimentos a pessoas físicas e jurídicas, presença nacional e estrutura de governança, capital, liquidez, rentabilidade e conformidade regulatória compatível com o porte do novo conglomerado”.

Preocupações e polêmicas

O Sindicato dos Bancários do Distrito Federal divulgou uma nota no domingo (30) expressando “profunda preocupação” com a possível gestão temerária do BRB diante da compra do Banco Master. Segundo o sindicato, a aquisição levanta questionamentos sobre o interesse público e a segurança econômica da instituição.

Na sexta-feira (28), o presidente do BRB anunciou que pretende adquirir o Banco Master por R$ 2 bilhões. O BRB ficaria com 58% do capital total e 49% das ações ordinárias do Master. De acordo com o banco estatal do DF, esse valor representa 75% do patrimônio consolidado do Master, conforme demonstrações financeiras auditadas pela PricewaterhouseCoopers (PwC), uma das maiores empresas de auditoria do mundo.

O negócio, no entanto, gerou polêmica, pois o Banco Master é conhecido por uma política agressiva de captação de recursos, oferecendo rendimentos de até 140% do Certificado de Depósito Bancário (CDI). Esse percentual é significativamente superior à média de bancos menores, que gira em torno de 110% a 120% do CDI.

Outra preocupação do mercado é a falta de transparência financeira do Banco Master. A instituição ainda não publicou seu balanço de dezembro e, recentemente, tentou emitir títulos em dólares, mas não conseguiu captar investidores. Operações envolvendo precatórios – títulos de dívidas governamentais com sentença judicial definitiva – também aumentaram as incertezas sobre a real situação financeira do banco.

Além disso, o BTG Pactual chegou a oferecer apenas R$ 1 para assumir o controle do Banco Master, comprometendo-se a absorver seu passivo. A proposta incluía a utilização de recursos do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que cobre investimentos de até R$ 250 mil por pessoa física ou jurídica em cada instituição financeira. No entanto, a falta de consenso entre os bancos que compõem o FGC impediu a concretização do negócio.

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Agora, resta aguardar a decisão do Banco Central e do Cade para determinar o futuro da transação.

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