
Pelo menos 12 pessoas foram detidas, nesta segunda-feira (31), em um protesto de entregadores de aplicativo realizado na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro, segundo informações do portal ''O Dia''.
Os manifestantes fazem parte de entregadores de aplicativo que iniciaram uma paralisação nacional nesta segunda, chamada “Breque Nacional dos Apps”. Segundo a organização do movimento, trabalhadores de pelo menos 59 cidades aderiram.
No Rio de Janeiro, a corporação da PM afirma que foi acionada por alguns profissionais estavam sendo impedidos de trabalhar e obrigados a aderir à paralisação da categoria.
Os detidos na confusão foram levados à 19ª DP (Tijuca) por envolvimento em atos violentos durante a manifestação. O policiamento foi reforçado na região.
São Paulo

Em São Paulo, centenas de entregadores e apoiadores se reuniram na praça Charles Miller, no Pacaembu. Por volta das 11h, eles seguiram para o MASP, na avenida Paulista, escoltados por viaturas da PM.
De lá, grupo foi para Osasco, Região Metropolitana de São Paulo, na sede do iFood, líder do mercado de entrega de comida na América Latina, para exigir uma reunião das lideranças com um representante da empresa.
Centenas de manifestantes ocuparam a frente da empresa, que tem entrada recuada, a calçada, e duas das três pistas da Avenida Autonomistas, no centro de Osasco.
No interior da empresa, um representante se reuniu com nove entregadores e informou que levaria as reivindicações à diretoria.
Trânsito lento em Porto Alegre
Uma motociata de trabalhadores de entrega por aplicativo que aderiram ao “Breque Nacional dos Apps” causou transtornos no trânsito de Porto Alegre.
Os manifestantes saíram às 11h da Avenida Getúlio Vargas, em Canoas. Eles seguiram pela BR-116, utilizaram a freeway e Castello Branco até chegar na região central da cidade, por meio das avenidas Mauá, Loureiro da Silva, Borges de Medeiros e Praia de Belas, onde fica a sede de uma das empresas de transporte por aplicativo.
Ao longo do percurso houve lentidão no trânsito. Eles chegaram a paralisar o trânsito por dois momentos, na Mauá e na Loureiro da Silva.
Entidades que representam os entregadores incentivaram a categoria a paralisar as atividades ao longo do dia.
Adesão
Trabalhadores de pelos menos 59 cidades aderiram à paralisação nesta segunda-feira, de acordo com os organizadores.
Além de Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, atos nas ruas também ocorreram em ao menos outras 16 capitais: Maceió, Manaus, Belém, Salvador, Fortaleza, Goiânia, Distrito Federal, Belo Horizonte, João Pessoa, Natal, Recife, Floripa, Curitiba, Porto Velho, Cuiabá e São Luís.
Principais demandas dos entregadores:
A mobilização, prevista para durar até terça-feira (1º), tem como objetivo reivindicar melhores condições de trabalho e remuneração.
As principais demandas dos entregadores incluem:
- Taxa mínima de R$ 10 por entrega: Atualmente, plataformas como o iFood pagam cerca de R$ 6,50 por corrida mínima, valor considerado insuficiente pelos trabalhadores.
- Aumento do valor por quilômetro rodado: Os entregadores pedem que o valor pago passe de R$ 1,50 para R$ 2,50, devido ao aumento dos custos de manutenção e combustível.
- Limitação do raio para bicicletas: A reivindicação é que as entregas feitas por bicicleta sejam restritas a um máximo de 3 km, reduzindo o esforço físico em longas distâncias.
- Pagamento integral por pedidos agrupados: Quando várias entregas são combinadas em uma mesma rota, os trabalhadores exigem que cada pedido seja pago integralmente, sem redução no valor por entrega adicional.
A paralisação ocorre em um contexto de insatisfação com as condições do trabalho e após o fracasso de negociações com o governo e as empresas em 2023.
Naquele ano, o Ministério do Trabalho tentou mediar um acordo para regulamentação da categoria, mas as discussões terminaram sem consenso.
Os entregadores também denunciam práticas antissindicais, como bônus oferecidos por empresas para desencorajar a participação na paralisação.
Nota do iFood

"O iFood respeita o direito à manifestação pacífica e à livre expressão dos entregadores e entregadoras. Como empresa brasileira e ciente do seu papel na geração de oportunidades, desde 2021, nos dedicamos à criação de uma agenda sólida e permanente de diálogo com os entregadores parceiros e representantes da categoria, para o aprimoramento de iniciativas que garantam mais dignidade, ganhos e transparência para estes profissionais.
Estamos atentos ao cenário econômico e estudando a viabilidade de um reajuste para 2025. É importante ressaltar que, nos últimos três anos, os ganhos dos entregadores foram aumentados de várias maneiras:
- 2022: Aumento do valor mínimo da rota em 13%, de R$5,31 para R$6,00, e do valor por quilômetro rodado em 50%, de R$1,00 para R$1,50.
- 2023: Reajuste da taxa mínima em 8,3%, de R$6,00 para R$6,50, acima da inflação do período (3,74% pelo INPC).
- 2024: Introdução de adicional de R$3,00 por entrega extra em rotas agrupadas.
- O ganho bruto por hora trabalhada hoje no iFood é quatro vezes maior do que o ganho do salário mínimo-hora nacional. De 2022 até 2024, os ganhos líquidos médios por hora trabalhada na plataforma foram 2,2 vezes superiores ao salário mínimo-hora, de acordo com os custos apontados em pesquisa realizada pelo Cebrap em 2023.
Além disso, todos os entregadores parceiros do iFood têm acesso a seguro pessoal gratuito para casos de acidentes durante as entregas, planos de saúde, programas de educação, além de apoio jurídico e psicológico para casos de discriminação, assédio ou agressão sofridos pelos profissionais de delivery.
Ao mesmo tempo, reforçamos que é importante respeitar o funcionamento dos estabelecimentos parceiros e garantir a livre circulação de funcionários e da população em geral, conforme previsto na Constituição, sempre prezando por um ambiente seguro e livre de qualquer tipo de violência.
O iFood segue disponível para o diálogo com os entregadores na busca por melhorias para os profissionais e para todo o ecossistema."
Nota da Amobitec
“A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) respeita o direito de manifestação e informa que suas empresas associadas mantêm canais de diálogo contínuo com os entregadores.
Sobre a remuneração dos profissionais, de acordo com o último levantamento do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), a renda média de um entregador do setor cresceu 5% acima da inflação entre 2023 e 2024, chegando a R$ 31,33 por hora trabalhada.
As empresas associadas da Amobitec apoiam a regulação do trabalho intermediado por plataformas digitais, visando a garantia de proteção social dos trabalhadores e segurança jurídica das atividades. Além disso, atuam dentro de modelos de negócio que buscam equilibrar as demandas dos entregadores, que geram renda com os aplicativos, e a situação econômica dos usuários, que buscam formas acessíveis para utilizar serviços de delivery.”