Campos Neto: Pix foi benéfico para setor bancário

Presidente do Banco Central lembrou que o Pix já registrou cerca de 170 milhões de operações em um único dia

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil -
Campos Neto: Pix foi benéfico para setor bancário

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, declarou nesta quarta-feira (18) que o surgimento do Pix foi benéfico para o setor bancário. Em discurso, disse que a ferramenta incentivou a abertura de contas bancárias. Além disso, o presidente do BC prevê que a ferramente atingirá a marca de transições diárias de, em média, uma transação por cidadão brasileiro.

Campos Neto fez esses comentários após o Pix receber o prêmio de Marca mais Admirada do Brasil no setor de pagamentos, concedido pelo Grupo Bandeirantes em uma cerimônia em São Paulo. As observações do presidente do Banco Central contrariam as previsões de que o meio de pagamento prejudicaria os bancos ao eliminar a possibilidade de cobrança de tarifas por transferências bancárias.

O BC projeta lançar em abril de 2024 o Pix Automático, o que viabilizaria o pagamento de contas com a autorização prévia do usuário. O sistema de pagamentos instantâneo te ve alta de 105% com 11,7 bilhões de transações feitas em 2022.

Agora, o presidente do Banco Central vê o Pix assumindo gradualmente funções anteriormente reservadas aos cartões de crédito e revela planos mais ousados para o método de pagamento desenvolvido pela autarquia.  Ele afirma que o Pix é parte de um plano mais amplo que envolve a digitalização e tokenização da moeda brasileira (Drex).

Em 3 anos de existência, o Pix já movimentou R$ 10,9 trilhões – até dezembro de 2022 –“Não esperava uma evolução tão rápida; as pessoas aderiram ao produto que foi pensado como forma de gerar inclusão”, defendeu durante discurso.

Campos Neto assumiu a chefia do Banco Central em 2019 e, dois anos depois, a autonomia operacional da instituição foi regulamentada. Seu mandato dura até 31 de dezembro de 2024. Ele já disse não querer ser reconduzido ao cargo.

No início do ano, Lula e o presidente do BC tiveram uma relação tensa, com o presidente da República criticando a demora do Banco Central em baixar a Taxa Selic (juros básicos da economia), que ficou em 13,75% ao ano entre agosto de 2022 e agosto deste ano e atualmente está em 12,75%. Em junho, Lula tinha classificado de “irracional” o nível dos juros.