Prédio do Banco Central
Agência Brasil
Prédio do Banco Central

O Comitê de Política Monetária (Copom) do  Banco Central (BC) irá anunciar no fim da tarde desta quarta-feira (20) a nova taxa básica de juros (Selic). Atualmente, o  índice está em 13,25%, após o corte de agosto. 

No comunicado da última reunião, o Copom informou que os diretores do BC e o presidente do órgão, Roberto Campos Neto, tinham previsto, por unanimidade, cortes de 0,5 ponto percentual nos próximos encontros. 

A expectativa do mercado financeiro é que a Selic encerre o ano em 11,75% ao ano, portanto, ainda seriam necessários cortes de dois pontos percentuais. Como o comitê reúne-se a cada 45 dias, é provável que todas as reuniões tenham cortes de 0,5 p.p..

De acordo com o Paraná Banco Investimentos, a taxa terá mais uma redução de 0,50 p.p passando para 12,75%. Segundo Pedro Oliveira, tesoureiro da instituição, esse novo corte na taxa Selic deverá ocorrer pela melhora significativa dos índices de inflação, desde a última reunião do Copom.

Apesar do índice amplo da inflação, IPCA, ter subido de 3,16% para 4,61% no acumulado de 12 meses, a média trimestral dos núcleos recuou de 5,55% para 4,80% e a inflação de serviços de 6,22% para 5,43%, o que, para o Banco Central, é o mais relevante.

O economista diz ser possível que o colegiado aumente o ritmo para 0,75 p.p. nas próximas reuniões de novembro e dezembro. "A resiliência da inflação de serviços e a persistência inflacionária global eram os dois pontos de risco para o Banco Central seguir conservador nos próximos cortes, e ambos estão arrefecendo", diz.

Sobre o IPCA, que voltou a acelerar desde junho, Oliveira explica que deve fechar o ano próximo a 5,0%, influenciado principalmente pelos preços dos combustíveis e energia elétrica, que tiveram forte alta em agosto. Esses dois índices afetam toda a cadeia produtiva e oferecem uma difusão maior na inflação corrente, como aconteceu em agosto, quando o índice de difusão subiu de 46% para 53%.

O economista-chefe Warren Rena, Sérgio Goldenstein, espera que o Copom reduza a meta Selic em 0,50 p.p. para 12,75%, em linha com o sinalizado na reunião anterior e as expectativas amplamente majoritárias do mercado.

"Consideramos ainda como mais provável que o comunicado repita a mensagem de que os membros do Comitê anteve em redução de mesma magnitude nas próximas reuniões e avaliam que esse é o ritmo apropriado para manter a política monetária contracionista necessária para o processo desinflacionário", afirma.

Avaliamos que, desde a última reunião, as condições apontadas não se materializaram. Primeiro, não se observou uma “reancoragem bem mais sólida das expectativas”, pois estas vêm mostrando rigidez e mantêm, portanto, um desvio não desprezível com relação à meta de inflação (86 bps para o ano de 2024 e 50 bps para 2025 e 2026). Segundo, também não ocorreu “uma abertura contundente do hiato do produto”. Pelo contrário, os dados de atividade vêm surpreendendo para cima e o mercado de trabalho se mostra sólido (a taxa de desemprego no trimestre encerrado em julho ficou em 7,9%, menor resultado para o período desde 2014)", completa.

Ele alerta ainda que, por outro lado, a inflação de serviços vem desacelerando, mas ainda é cedo para se ter uma confirmação de “uma dinâmica substancialmente mais benigna do que a esperada da inflação de serviços”.

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