Congresso deve ser o principal alvo dos servidores para pedir reajuste salarial em 2023
Congresso Nacional / Divulgação
Congresso deve ser o principal alvo dos servidores para pedir reajuste salarial em 2023

A Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), junto com centrais sindicais, prepara uma série de mobilização para ao governo federal que reajuste os salários de servidores em 2023. As mobilizações devem começar na tarde de segunda-feira (1º) e terminar na quinta-feira (4).

Chamada de semana de "contra-ataque", a mobilização deve pressionar deputados e senadores a estipulares a recomposição salarial dos servidores públicos na Lei Orçamentária Anual (LOA), que deve ser discutida no próximo mês.

"Diante da frustração diante dos quatro anos do governo Bolsonaro, que de forma premeditada deixou congelado os salários dos servidores e a movimentação do Congresso, vamos atuar com esforço concentrado para pressioná-los para reservar algo para o reajuste salarial", afirma Sérgio Ronaldo da Silva, secretário-geral da Condsef.

Na segunda e terça-feira, os servidores devem se concentrar no Aeroporto de Brasília, onde vão recepcionar deputados e senadores. Ainda na terça, estão previstas mobilizações no Senado e no Ministério da Economia.

"O Ministério da Economia paga PEC, paga benefícios, mas não reajusta salário dos servidores. Vamos nos mobilizar lá por ser a pasta responsável por todas as finanças do país", disse Silva.

Os sindicatos também devem se mobilizar em frete ao Supremo Tribunal Federal (STF) e no Congresso Nacional na quarta-feira. Já quinta, a confederação deverá se reunir para um balanço das mobilizações.

A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2023, aprovada pelo Congresso no começo do mês, não prevê o reajuste salarial para servidores federais. O texto, porém, prevê a recomposição para policiais federais, rodoviários e agentes penais, público eleitoral do presidente Jair Bolsonaro (PL).

"Estamos apenas pedindo um reajuste salarial corrigido pela inflação. Nos últimos quatro anos não tivemos nada de aumento. Estamos solicitando 25% de reajuste, ou seja, o percentual inflacionário dos últimos anos", afirma Sérgio.

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"O servidor federal teve ¼ do seu salário comido pela inflação. Fora os benefícios que estão cada vez menores. O servidor recebe 500 reais por mês de benefício, esse valor não da para chegar na metade do mês", completa.

Embora tenha se colocado a favor da PEC das Bondades, o secretário da Condsaf critica a exclusão dos servidores dos planos do Palácio do Planalto.

"Acho super válido o aumento do Auxílio Brasil, por exemplo, mas o governo sempre disse que não tem dinheiro para nada. Perto das eleições, resolveram 'achar' um dinheiro para bancar a popularidade do presidente".

"Servidores estaduais todos tiveram reajustes em negociações com os governos, nos municípios também. Trabalhadores privados tiveram reajuste, e os servidores federais não. O serviço público é a solução e não o problema. Não podemos ficar nessa situação de penúria", completa.

Reajuste de servidores

Não é de hoje que servidores se mobilizam para pressionar o Planalto a reajustar salários. Funcionários do Banco Central entraram em greve após o governo negar o aumento salarial e destinar a verba de R$ 1,7 bilhão para a segurança pública.

Diretores da Receita Federal também aderiram à mobilização, o que provocou uma série de reuniões no Ministério da Economia para contornar a situação. As greves foram encerradas há um mês, data em que o governo não poderia mais reajustar os salários neste ano.


** João Vitor Revedilho é jornalista, com especialidade em política e economia. Trabalhou na TV Clube, afiliada da Rede Bandeirantes em Ribeirão Preto (SP), e na CBN Ribeirão. Se formou em cursos ligado à Rádio e TV, Políticas Públicas e Jornalismo Investigativo.

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